Com um resultado do primeiro trimestre marcado por forte geração operacional de caixa de 48,9 bilhões de reais, avanço de 30,5% na comparação com o mesmo período do ano passado e acima do consenso da Bloomberg de 46,88 bilhões, a Petrobras (PETR3; PETR4) pode se tornar uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa ainda este ano.
Em relatório desta sexta-feira, os analistas Regis Cardoso e Marcelo Gumiero, do Credit Suisse, comentam que os preços do petróleo Brent, usados como referência pela petroleira, entre 65 e 70 dólares o barril podem acionar a política de dividendos da companhia antes do fim deste ano. Tal cenário está combinado com a expressiva geração de caixa da empresa (Ebitda) e processo de desalavancagem observados neste último trimestre, apontam.
“Na nossa visão, isso seria um significativo catalisador porque o dividend yield [retorno sobre os dividendos] da Petrobras poderia ultrapassar os 20% se a política de dividendos de 60% [do fluxo de caixa operacional descontados os investimentos, quando o endividamento estiver abaixo de 60 bilhões de dólares] for aplicada”, explicam.
Caso concretizada, a projeção poderia colocar a empresa como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa este ano até o momento, levando em consideração um levantamento da Economatica do mês passado. Isso porque, usando como base esse ranking, a Isa Cteep (Transmissão Paulista, TRPL4) aparecia na liderança naquele período, com um dividend yield de 17,62% para 2021.
Os analistas Cardoso e Gumiero comentam, no entanto, que, embora o resultado tenha vindo robusto e o valuation das ações pareça atrativo olhando por qualquer métrica, os investidores ainda devem ser cautelosos com os riscos.
Entre os riscos, eles ressaltam: a continuidade da política de preços da companhia atrelada à paridade internacional, particularmente para gasolina, diesel e gás; mudanças no plano de negócios da empresa, com potencial aumento nos níveis de capex (investimentos em bens de capital); antecipação da incerteza política para as eleições de 2022; potencial overhang (excesso de oferta) com as ações do BNDES; e volatilidade do preço do petróleo.
Diante disso, o banco mantém recomendação neutra para os recibos de ações da estatal (ADRs, na sigla em inglês) negociados na Bolsa de Nova York, com preço-alvo em 10,00 dólares, praticamente em linha com a cotação atual (em 9,65 dólares).
No mesmo sentido, os analistas do Bradesco BBI comentaram que, embora a empresa tenha reportado um forte balanço trimestral, eles acreditam que o mercado continua mais interessado em entender o caminho que será percorrido pela nova gestão da empresa. Entre as dúvidas, eles destacam: questionamentos se a companhia manterá sua política de dividendos, qual será sua posição em termos da sua política de preços e se a estatal se esforçará para vender sua participação na BR Distribuidora (BRDT3).
O Bradesco BBI também manteve sua recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo em 32,00 reais, o que representa um potencial de valorização de 22% frente ao patamar de hoje.
Nesta sessão, as ações preferenciais da companhia registraram ganhos de 5,16%, em 26,28 reais, enquanto as ordinárias subiram 4,65%, para 25,64 reais. Na semana, apareceram como as maiores altas do Ibovespa, com valorização acumulada entre 7% e 8%.
Por Paula Barra
Publicado originalmente em https://invest.exame.com/me/petrobras-pode-virar-uma-das-maiores-pagadoras-de-dividendos-da-b3-no-ano
