Atrasos avançaram entre famílias, empresas, cartões e crédito pessoal; banco vê trajetória de deterioração da qualidade das carteiras
A inadimplência no sistema financeiro brasileiro piorou em julho e reforçou as preocupações do BTG Pactual com a qualidade do crédito em 2027. Segundo relatório do banco, a taxa de inadimplência das famílias subiu 0,4 ponto percentual no mês, para 5,8%, enquanto entre empresas avançou 0,1 ponto, para 3,3%.
O movimento foi disseminado por diferentes modalidades. No crédito pessoal sem garantia, a inadimplência aumentou 1,3 ponto percentual, para 15,3%. Nos empréstimos consignados privados, chegou a 10%, enquanto nos cartões de crédito avançou para 9,5%. Entre pequenas e médias empresas, a taxa subiu para 6%.
O BTG ressalta que os dados do Banco Central vêm passando por revisões frequentes e que mudanças nos períodos de baixa de créditos vencidos podem distorcer comparações. Ainda assim, a avaliação é que a trajetória permanece de aumento da inadimplência.
Outro sinal de pressão aparece no comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas. Excluindo o financiamento imobiliário e considerando dados ajustados sazonalmente, a fatia da renda destinada ao serviço da dívida subiu 0,6 ponto percentual em junho, para 26,6%. O ritmo de deterioração também acelerou ao longo dos últimos trimestres.
Banco do Brasil chama atenção nos cartões
Entre os grandes bancos, o Banco do Brasil foi, segundo o BTG, o principal responsável pela piora da inadimplência em cartões no segundo trimestre. A taxa de atrasos acima de 90 dias nesse segmento passou de 7,1% para 14,6%. Sem o BB, a inadimplência dos cartões entre os grandes bancos teria recuado 0,8 ponto percentual no trimestre, para 8,5%.
Entre as instituições de menor porte, o relatório destaca o BRB, cujo índice de inadimplência acima de 15 dias em cartões saltou de 34,4% no quarto trimestre de 2025 para 43,3% no primeiro trimestre deste ano. Também aparecem entre os principais contribuintes para a piora Banco CSF, Porto Seguro, Inter, PicPay e instituições ligadas a varejistas.
Para o BTG, a deterioração não significa necessariamente que todos os produtos estejam piorando na mesma intensidade. No consignado privado, por exemplo, mudanças na estrutura operacional, garantias e amadurecimento das carteiras ainda dificultam uma leitura definitiva sobre a qualidade normalizada do crédito.
Mesmo com essas ressalvas, o quadro reforça uma preocupação central para 2027: se a inadimplência continuar avançando, os bancos podem enfrentar maior necessidade de provisões e mais pressão sobre a rentabilidade, especialmente nas carteiras de maior risco.
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