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Elevar meta de inflação não garante juros menores e pode enfraquecer ainda mais a credibilidade monetária

Da redação
8 de novembro de 2026

Relatório divulgado pelo BTG Pactual destaca que uma eventual elevação permanente da meta de inflação brasileira de 3% para algo entre 4% e 4,5% seria uma medida sem precedentes entre economias emergentes que adotam o regime de metas de inflação. Segundo o banco, o debate ocorre em um momento marcado por fragilidade fiscal, expectativas de inflação desancoradas e dificuldades recorrentes para cumprir a meta atual.

No estudo, o BTG analisa experiências de países como Uruguai, Argentina e Turquia para avaliar os efeitos de revisões nas metas de inflação. A conclusão é que alterações desse tipo só produziram resultados positivos quando vieram acompanhadas de medidas consideradas críveis de aperto fiscal e monetário. Em cenários de baixa credibilidade, as expectativas de inflação tenderam a subir além da própria mudança anunciada.

O relatório menciona o caso do Uruguai, que ampliou sua banda de inflação em 2013 e conviveu por anos com expectativas acima do teto estabelecido. Já na Argentina, a revisão das metas em 2017 foi seguida por aumento das expectativas inflacionárias, desvalorização cambial e perda de credibilidade do regime. A Turquia, por sua vez, conseguiu limitar os impactos imediatos após uma revisão anunciada em 2008, mas não conseguiu restabelecer uma ancoragem duradoura das expectativas.

Ao avaliar o histórico brasileiro, o BTG cita o episódio de 2003, quando a flexibilização temporária das metas ocorreu em conjunto com aumento da taxa Selic e reforço do ajuste fiscal. O banco também lembra que, em 2023, apenas a discussão pública sobre uma possível mudança de meta já teria provocado alta nas expectativas de inflação de longo prazo, mesmo sem alteração efetiva do objetivo oficial.

O estudo aponta ainda que o Brasil reúne atualmente características consideradas desafiadoras para uma revisão da meta, incluindo inflação acima do centro da meta há vários anos, dívida pública elevada, déficit fiscal e expectativas de inflação acima dos níveis desejados para os próximos anos.

Na avaliação do BTG Pactual, a experiência internacional sugere que o caminho para fortalecer a credibilidade da política monetária passa primeiro pelo avanço do ajuste fiscal e pela reancoragem das expectativas. Somente após esse processo uma eventual discussão sobre mudanças na meta teria condições mais favoráveis de ocorrer.

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