A intenção do senador Flávio Bolsonaro (PL) de pedir a anulação das eleições presidenciais enfrenta obstáculos políticos e institucionais já nas primeiras horas após o resultado do segundo turno. O candidato derrotado afirmou que não reconheceria o resultado da disputa e anunciou que pretende recorrer à Justiça para contestar o pleito.
Flávio atribuiu suas críticas principalmente à decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação até as 19h em todo o país. Na avaliação do senador, a medida teria comprometido a isonomia do processo eleitoral.
No entanto, a própria campanha do PL apresentou pedidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ampliar o horário de votação em cidades de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul afetadas por fortes chuvas.
Conforme o jornal O Globo, outro fator que dificulta a contestação é a posição adotada pela cúpula das instituições responsáveis pelo processo eleitoral. O presidente do TSE, Nunes Marques, afirmou que a extensão do horário de votação gerou desafios operacionais, mas declarou que a equipe técnica conseguiu superá-los sem qualquer impacto sobre o resultado final da eleição.
Além disso, autoridades dos Três Poderes reconheceram o resultado. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu o respeito à vontade soberana expressa nas urnas e destacou a necessidade de estabilidade institucional, diálogo entre os Poderes e fidelidade às regras constitucionais.
Lula foi declarado vencedor com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. O candidato do PL acompanhou a apuração em Brasília e, após a consolidação da virada de Lula, reuniu-se com aliados e advogados para discutir os próximos passos jurídicos.
