O Bradesco apresentou resultados do terceiro trimestre de 2026 dentro das expectativas em alguns indicadores, mas com sinais de desaceleração que chamaram a atenção do mercado. Conforme o BTG Pactual, em relatório, a instituição registrou novo avanço nos lucros e reforçou sua estrutura de capital após o aumento de capital de R$ 10 bilhões, além de manter controle de despesas e evolução nos índices de eficiência operacional.
O banco encerrou o trimestre com uma carteira de crédito de R$ 1,15 trilhão, crescimento de 11,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente pelas operações com pessoas físicas, em especial financiamento de veículos, crédito consignado e financiamentos imobiliários, além da expansão da carteira corporativa.
A receita financeira total alcançou R$ 21,4 bilhões, enquanto as receitas de tarifas e serviços somaram R$ 10,9 bilhões. O lucro líquido ajustado ficou em R$ 7,1 bilhões no período, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 15,6%.
Por outro lado, o BTG aponta uma piora nos indicadores de inadimplência. O índice de créditos com atraso superior a 90 dias subiu para 4,6%, acompanhado por aumento das provisões para perdas e redução dos índices de cobertura. Segundo os analistas, o ambiente macroeconômico mais desafiador tem levado o banco a revisar modelos de crédito, ajustar preços e reduzir exposição a segmentos considerados mais voláteis.
Na área de seguros, o desempenho permaneceu positivo, apesar de uma receita abaixo das estimativas do banco de investimento. Já as despesas operacionais continuaram em trajetória de queda, mesmo com a manutenção dos investimentos em tecnologia e transformação digital.
Para o BTG Pactual, o processo de recuperação do Bradesco segue avançando, mas em ritmo mais moderado. O banco manteve recomendação neutra para as ações e preço-alvo de R$ 21 para os próximos 12 meses.
O relatório destaca ainda que o cenário político e econômico tende a ganhar peso crescente na performance do setor financeiro, especialmente diante das expectativas sobre o ambiente fiscal e a trajetória futura dos juros no país.
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