Em entrevista a MONEY REPORT, João Moressi, fundador e CEO da Opah, afirmou que o mercado de inteligência artificial está entrando em uma nova fase, marcada por mais maturidade e menos entusiasmo impulsionado apenas pelo hype. Segundo ele, após um período intenso de testes e adoção acelerada da tecnologia, as empresas passaram a priorizar a mensuração de resultados, governança e retorno sobre investimento.
De acordo com o executivo, a inteligência artificial já transformou significativamente a indústria de software, permitindo que agentes e sistemas avancem além da simples análise de dados para atuar na criação de soluções, automação de processos e apoio às decisões de negócio. No entanto, ele destaca que as empresas estão cada vez mais preocupadas em entender se essas iniciativas realmente geram ganhos de eficiência, produtividade e receita.
Moressi alerta que a facilidade de acesso às ferramentas de IA também trouxe novos desafios. Na visão dele, muitas áreas estão desenvolvendo soluções de forma independente, criando “silos de IA” dentro das organizações. Para evitar riscos relacionados à segurança, governança e integração entre sistemas, as companhias vêm reforçando controles e políticas de uso da tecnologia.
Fundada em 2012, a Opah nasceu com o objetivo de oferecer às grandes empresas suporte tecnológico especializado com mais agilidade e proximidade. Atualmente, a companhia conta com cerca de 750 profissionais e atende entre 80 e 90 grandes clientes em projetos considerados críticos para suas operações.
O executivo também destacou a importância da formação de lideranças dentro da empresa. Com origem na área técnica, ele afirma que precisou ampliar seus conhecimentos em gestão, liderança e desenvolvimento de pessoas para acompanhar o crescimento da organização. Segundo Moressi, a Opah incentiva executivos, gestores e especialistas a participarem de eventos, palestras e fóruns de inovação para fortalecer o protagonismo e a troca de conhecimento.
Outro ponto abordado foi a relevância do relacionamento com clientes. Para o CEO, mesmo em um cenário cada vez mais digital e automatizado, a construção de conexões humanas continua sendo fundamental para os negócios. A empresa investe em ações de relacionamento e experiências compartilhadas com parceiros e clientes para aprofundar discussões sobre tecnologia, inovação e oportunidades de mercado.
Ao projetar os próximos anos, Moressi avalia que a inteligência artificial seguirá avançando rapidamente, mas acredita que a adaptação das pessoas ocorrerá de forma gradual. Para ele, a tecnologia deve criar novas oportunidades e funções profissionais, sem necessariamente eliminar os empregos existentes. “O ser humano é adaptável e novas necessidades surgem à medida que a tecnologia evolui”, afirmou.
