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O dilema do eleitor indeciso

Aluizio Falcão Filho
20 de outubro de 2026

Geralmente, a indecisão surge diante de nós quando precisamos tomar uma decisão e as opções são parecidas. No caso da eleição de 2026, no entanto, há eleitores indecisos entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, candidatos que não guardam praticamente nenhuma semelhança entre si. Muitos analistas viram no debate de domingo uma grande chance para que os indecisos pudessem encontrar uma definição. Mas o embate entre os candidatos foi marcado pela falta de disposição em responder perguntas e pelos ataques ao oponente. Com isso, a hesitação de quem não escolheu um candidato até deve ter aumentado.

O fato é que a sociedade mudou drasticamente nos últimos anos e muitos ainda acham que o debate na TV e a campanha gratuita trazem algum alento à população que deseja ouvir propostas. Esses dois mecanismos, na prática, se transformaram em reféns das redes socais. Os debates televisivos são, na prática, um pretexto para colher imagens que serão editadas e trabalhadas no Instagram, Facebook, TikTok e WhatsApp. Já as campanhas acabam veiculando várias peças idealizadas para as redes sociais e não para a televisão.

No fundo, o eleitor que vacila diante das opções precisa encontrar sua escolha dentro de si. Não existem mais ferramentas de comunicação social confiáveis para fornecer elementos que fundamentem uma decisão. Em última análise, o que temos diante de nós é a continuidade de um projeto que estaria ingressando em seu quinto mandato ou a possibilidade de mudança, resgatando um modelo que foi experimentado entre 2019 e 2022 (prejudicado, é verdade, pela pandemia).

O que atrapalha essa avaliação? Flávio Bolsonaro não é igual ao seu pai em diversos aspectos. Se o ex-presidente Jair Bolsonaro estivesse no páreo, seria muito mais fácil encontrar uma resposta para as dúvidas. Mas, como o senador fluminense gasta mais tempo em ataques a Lula do que formulando suas propostas, a indecisão de alguns permanece.

De qualquer forma, o eleitor inseguro precisa buscar a solução para seu problema dentro de si: ele quer a continuidade de um projeto ou prefere apostar em algo novo? Prefere aquilo que já conhece ou está insatisfeito com o que já vivenciou durante três mandatos? Coloca aquilo que já conhece à frente do medo daquilo que pode vir com outra proposta?

Não há resposta certa para essas perguntas e talvez seja justamente isso que paralisa o indeciso. A dúvida não é sobre quem tem mais seguidores ou quem se saiu melhor nos cortes do debate que circulam no WhatsApp. É sobre algo mais íntimo: como estava sua vida há quatro anos e como está hoje, o que mudou no seu bolso, na segurança do seu bairro, nas perspectivas dos seus filhos? De um lado, a continuidade talvez signifique um ciclo sem fôlego para resolver problemas que se arrastam há décadas. De outro, há quem tema que a mudança represente um salto no escuro, com um candidato que ainda não mostrou com clareza o que pretende fazer além de derrotar o adversário. Os dois medos são legítimos e nenhuma campanha se esforçou de verdade para dissipá-los.

Diante disso, cresce a tentação de terceirizar a decisão: votar em branco, anular ou simplesmente não comparecer. Mas isso seria um erro. Quem se abstém não escapa da escolha; apenas deixa que os outros a façam em seu lugar. O indeciso de 2026 talvez seja o eleitor mais honesto desta eleição, porque é o único que ainda não se rendeu à lógica das torcidas organizadas. Cabe a ele transformar essa hesitação em reflexão – não em omissão. No dia da votação, a pergunta que ele precisa responder não é qual candidato desgosta menos, mas que país acredita ser possível construir nos próximos quatro anos.

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Comentários

Respostas de 3

  1. O Lula não tem como fazer propostas de governo porque ficaria no calabouço da dúvida, se está aí a 20 anos porque não fez.
    A proposta do Flávio é excelente, constantemente repetida inclusive no debate, ficam sem entender porque esperam algo extrondoso ou fantástico mesmo que irrealizavel. Comprar a dívida dos devedores será a segunda rodada de impulso do Brasil através de ingessão de recursos na classe consumidora. A primeira rodada de impulso do Brasil foi no primeiro governo do Lula quando esta ingessão de recursos foi na classe baixa, só que este sistema mesmo sendo bom para manutenção, exauriu pelo vício e se tornou ineficaz para desenvolvimento.

  2. O povo está sacrificado pelo alto custo de vida, pela falta de segurança, pelo aumento gigantesco da dívida pública, pelos escândalos das notícias de corrupção, pela inércia e ineficiência do poder legislativo, pelo crescimento do descrédito no poder judiciário etc.
    É preciso mudar já. Para que a esperança renascer.

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