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‘99%’: Netflix busca antídoto contra lentidão na dança das cadeiras

Pedro Knoth,
para MR
18 de outubro de 2026
Streaming demite 6 mil funcionários e executiva considerada sucessora de Ted Sarantos, co-presidente executivo da Netflix

A Netflix é o maior serviço de streaming do mundo, com 325 milhões de assinantes e uma carga de horas assistidas de fazer inveja nos principais rivais. Mesmo assim, na última semana, cortou 6 mil empregos de seu quadro de funcionários e fez uma agitada dança das cadeiras de um de seus principais cargos, a pedido de ninguém mais, ninguém menos, do que Ted Sarantos, co-presidente e chefão do serviço.

Sempre com fome para mais, Sarantos acusa a Netflix de crescer de forma lenta demais. Fora o problema interno, a ação da Netflix vem de uma queda livre de 40%. O desagrado dos investidores motivou uma mudança de rumos dentro do serviço de streaming, com a saída da diretora executiva de transmissões ao vivo, séries de TV, filmes e serviços de podcast, Bela Bajaria. Quem entrou no lugar foi Peter Rice, um veterano da indústria do entretenimento com passagens por Paramount e Disney.

O motivo do crescimento lento demais, na visão dos executivos, é o tempo gasto por quem assiste o streaming. O tempo de tela dos espectadores da Netflix estancou, e a companhia não tem mais uma obra do tipo “arrasa quarteirões” desde que a série “Stranger Things” se encerrou no ano passado. A companhia viu o crescimento do YouTube nesta mesma métrica, dentre audiências americanas, segundo a consultoria Nielsen.

“A ação está desse jeito por uma razão: existe a percepção que o engajamento da Netflix passa por desafios que devem criar obstáculos para o crescimento das receitas”, disse o fundador da casa de análises LightShed Partners, Rich Greenfield, ao jornal The New York Times. Os papéis só voltam a subir na bolsa se a Netflix provar que o tempo de tela de seus assinantes não assinala uma queda de números do resultado financeiro, aponta Greenfield.

M&A com a Warner Bros.

O corte no valor das ações da Netflix começou, inclusive, quando a Netflix espantou investidores ao oferecer US$ 80 bilhões à Warner Bros. para uma fusão. Ted Sarantos admitiu na última conferência de resultados, a do segundo trimestre, que o acordo “colocou de escanteio a narrativa do negócio na visão dos investidores. Apavorou quem acreditava que a Netflix tinha recursos para sair sozinha do atoleiro do engajamento.

Dados da Nielsen apontaram que a Netflix foi responsável por 7,8% do tempo de entretenimento dos americanos em frente às televisões em julho, queda de 1 ponto percentual na comparação de 2026 com 2025.

Em um memorando explicando as demissões na semana passada, Ted Sarantos afirma que somente assim “poderia levar a companhia ao próximo nível”. Bela Bajaria, desde 2016 na Netflix, foi informada por Sarantos apenas no final de quarta-feira sobre a demissão, depois do corte de 6 mil funcionários, de acordo com o New York Times.

Peter Rice, que vem para substituir Bajaria, trabalhou na Fox e na Disney. Controlou as produções do estúdio Fox Searchlight, com sucessos como “Pequena Miss Sunshine”. A experiência de Rice se estende à TV: controlou a divisão de séries na Walt Disney Company.

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