Novas medidas anunciadas pelo governo Lula podem gerar um impacto fiscal de até R$ 43,6 bilhões em 2027 e de R$ 195,6 bilhões entre 2027 e 2030, segundo análise da Warren Rena. O estudo é assinado por Felipe Salto, economista-chefe da casa, além dos analistas de macroeconomia Josué Pellegrini e Daniel Ferraz.
De acordo com o levantamento, o conjunto de medidas inclui a recomposição do Bolsa Família pela inflação, novas iniciativas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), uma nova versão do Desenrola, a proposta de um programa para estudantes universitários e os efeitos da possível extinção das apostas esportivas online.
Entre os itens de maior impacto está o reajuste do Bolsa Família, que sozinho pode adicionar R$ 23,2 bilhões às despesas de 2027 e R$ 122,2 bilhões até 2030. O relatório também destaca os custos associados à ampliação de benefícios para MEIs e ao futuro programa apelidado de “Pé-de-Meia Universitário”, ainda em fase de detalhamento pelo governo.
A avaliação da Warren Rena também revisa as medidas adotadas ao longo de 2026 para conter os efeitos da alta do petróleo sobre os combustíveis. Pelos cálculos da instituição, subsídios e desonerações tributárias somaram R$ 44,37 bilhões entre março e outubro deste ano. No mesmo período, ações compensatórias elevaram a arrecadação em R$ 18,43 bilhões.
Segundo o relatório, a alta dos preços do petróleo gerou ainda um efeito positivo sobre as receitas públicas, estimado em R$ 42,25 bilhões em 2026, contribuindo para neutralizar boa parte dos custos das medidas voltadas ao setor de combustíveis.
Os autores observam que parte das iniciativas ainda depende de aprovação legislativa ou de previsão orçamentária para entrar em vigor. Mesmo assim, o estudo aponta que os efeitos acumulados das ações anunciadas ampliam a relevância da discussão fiscal que ficará para o próximo governo a partir de 2027.
No encerramento do relatório, a Warren destaca que a dívida bruta do governo está próxima de 83% do PIB e projeta déficit primário de 0,4% do PIB em 2027, cenário que reforça a necessidade de reorganização do orçamento e de medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.
Gostou do conteúdo? Inscreva-se e receba a newsletter de MONEY REPORT
