Agência estuda abrigos subterrâneos, depósitos de gelo e compra de lançadores para transportar até 60 toneladas de equipamentos a partir de 2029
A Nasa está avançando em duas frentes para viabilizar sua futura base permanente na Lua: identificar locais seguros para a instalação de estruturas e garantir capacidade suficiente para transportar equipamentos até a superfície lunar.
A agência americana selecionou três novos projetos científicos para investigar cavernas, depósitos de gelo e riscos ambientais no satélite. Ao mesmo tempo, prepara uma compra em grande escala de foguetes para atender ao cronograma de um projeto estimado em US$ 30 bilhões.
Segundo a Nasa, a estratégia é reduzir incertezas antes da fase mais pesada da construção. Em uma primeira etapa, prevista até 2028, a agência pretende enviar módulos de pouso e rovers para mapear terrenos e recursos. A partir de 2029, a demanda logística aumenta significativamente, com a previsão de transportar até 60 toneladas métricas de equipamentos.
Esse volume deverá incluir sistemas de energia, habitats, veículos e outras estruturas necessárias para manter astronautas por períodos mais longos na Lua.
Cavernas podem virar abrigo natural
Uma das investigações selecionadas vai analisar possíveis túneis subterrâneos formados por antigas atividades vulcânicas.
O projeto Geophysical Instruments for Marius Lunar Pit Investigation, ou GIMLI, estudará a Marius Hills Pit, uma abertura na superfície lunar que pode estar conectada a uma rede de tubos de lava.
Essas estruturas são de interesse porque poderiam funcionar como uma espécie de abrigo natural contra alguns dos principais riscos enfrentados por astronautas, como radiação, mudanças extremas de temperatura e impactos de micrometeoritos.
Caso grandes cavidades sejam confirmadas, elas poderão influenciar diretamente a escolha dos locais para futuras instalações.
Água também entra no mapa
A segunda frente científica será dedicada à busca por gelo. O projeto DISCO realizará medições em regiões extremamente frias da Lua para identificar depósitos preservados.
A água é considerada um recurso estratégico para futuras missões. Além do consumo, pode ser processada para obtenção de oxigênio e hidrogênio, reduzindo parte da dependência de suprimentos enviados da Terra.
O equipamento também deverá avaliar estabilidade do solo e os efeitos causados pelos motores das espaçonaves durante pousos.
A terceira investigação prevê a instalação de uma estação autônoma no polo sul lunar para monitorar terremotos lunares, micrometeoritos e substâncias voláteis presentes no ambiente.
Nasa quer evitar gargalo de foguetes
Paralelamente, a agência está avaliando a compra de diferentes modelos de foguetes para assegurar capacidade de lançamento durante a construção da base.
Carlos García-Galán, gerente do programa de base lunar da Nasa, afirmou à Bloomberg que a agência considera contratar quatro ou cinco tipos de veículos lançadores em uma mesma rodada.
A preocupação é evitar que a disponibilidade de foguetes se transforme em um gargalo justamente quando o volume de cargas começar a crescer.
Hoje, boa parte dos lançamentos americanos depende do Falcon 9, da SpaceX. A empresa, porém, já começou a restringir reservas para alguns voos posteriores a 2028, segundo a Bloomberg, o que levou a Nasa a buscar alternativas.
Entre os veículos disponíveis ou em desenvolvimento estão o New Glenn, da Blue Origin, o Vulcan, da United Launch Alliance, além de novos projetos de empresas como Rocket Lab, Relativity Space, Firefly Aerospace e Stoke Space.
O Starship, também da SpaceX, aparece como outra possibilidade, embora ainda precise avançar em etapas técnicas antes de operar regularmente em missões lunares.
A compra antecipada de capacidade busca dar mais flexibilidade à Nasa e reduzir a dependência de um único fornecedor.
No fim, o desafio da futura base lunar passa por duas perguntas bem concretas: onde instalar as estruturas e como levar tudo até lá. As novas pesquisas e a preparação logística tentam responder justamente a essas duas frentes antes que a construção entre em escala maior.
