A Revolut pretende transformar o Brasil em seu principal laboratório global para o desenvolvimento de produtos de crédito e capacidades de gestão de risco, em uma estratégia que poderá servir de base para a expansão dessas soluções em outros mercados.
Segundo relatório do BTG Pactual, a instituição avalia que o mercado brasileiro tem papel estratégico nesse movimento por reunir consumidores mais acostumados ao uso de crédito, especialmente cartões, o que oferece um ambiente relevante para testar modelos de concessão, definição de limites e gestão de inadimplência. Atualmente, a Revolut empresta apenas entre 3% e 4% dos depósitos captados, percentual que indica amplo espaço para expansão da carteira de crédito nos próximos anos.
De acordo com o BTG, a operação brasileira já vem ampliando sua oferta de crédito. Em março, a fintech estendeu o produto a clientes elegíveis de todas as categorias de cartões no país e lançou o plano premium Ultra. A decisão de crédito, porém, continua separada dos benefícios vinculados às assinaturas da plataforma, sendo baseada em critérios próprios de renda e análise de risco.
O banco destaca que a Revolut construiu sua trajetória global com foco em receitas transacionais, como câmbio, transferências internacionais, cartões, investimentos e assinaturas. O crédito ainda representa uma parcela reduzida da receita, mas a expectativa da companhia é que essa participação aumente gradualmente, sobretudo em mercados como Brasil e México.
O documento observa que a principal limitação para acelerar esse crescimento não está na tecnologia, mas na necessidade de acumular dados suficientes para aprimorar os modelos quantitativos de concessão de crédito. A empresa adota uma abordagem altamente baseada em dados e automação, sem intervenções manuais relevantes nos processos de análise.
Além do crédito, a operação brasileira também poderá contribuir para o desenvolvimento de novas soluções globais. Entre as iniciativas estudadas estão formas de utilizar o Pix em transações internacionais, permitindo que brasileiros façam pagamentos no exterior ou que estrangeiros usem o sistema durante viagens ao país.
O relatório também aponta que a Revolut pretende ampliar sua presença no cotidiano financeiro dos clientes brasileiros, combinando serviços de pagamentos, investimentos e crédito. A próxima grande aposta local deverá ser o lançamento do Revolut Business em 2027, com soluções voltadas a empresas, incluindo câmbio, gestão de caixa, cartões corporativos, reembolsos e automação de processos.
Globalmente, a fintech registrou receita de US$ 6 bilhões em 2025, alta de 46% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro antes dos impostos avançou 57%, para US$ 2,3 bilhões. No mesmo período, sua carteira global de crédito cresceu 120%, alcançando US$ 2,9 bilhões.
Segundo os analistas do BTG Pactual, a evolução da Revolut mostra uma aproximação gradual entre os modelos de negócios das grandes fintechs globais, à medida que a empresa avança em crédito enquanto amplia sua presença nos principais mercados da América Latina.
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