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O que o Bike Itaú revela sobre os desafios da mobilidade em São Paulo

Da redação
8 de outubro de 2026

A bicicleta vem ganhando espaço como alternativa de deslocamento nas grandes cidades brasileiras, mas os desafios para consolidar esse avanço ainda são significativos. É o que aponta uma pesquisa inédita do Instituto Cordial, apoiada pelo Itaú Unibanco, divulgada no ano em que o Bike Itaú completa 15 anos de operação.

O levantamento, realizado em São Paulo, mostra que ciclistas alcançam velocidades cerca de 18% maiores em vias com infraestrutura dedicada, como ciclovias e ciclofaixas. O dado reforça o potencial desses investimentos para tornar os deslocamentos urbanos mais eficientes e incentivar o uso da mobilidade ativa.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia obstáculos importantes para a expansão desse modelo. Três em cada quatro ultrapassagens registradas ocorreram a menos de 1,5 metro dos ciclistas, distância mínima prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro. Na Zona Leste da capital, os veículos passam, em média, a apenas 55 centímetros das bicicletas, indicando desafios persistentes relacionados à segurança viária.

Na avaliação do Itaú Unibanco, os dados mostram que o crescimento do uso da bicicleta precisa ser acompanhado por melhorias na infraestrutura urbana e pela integração entre diferentes atores do setor.

“Os últimos 15 anos mostraram que a bicicleta conquistou um papel cada vez mais relevante na mobilidade das cidades brasileiras. Ao mesmo tempo, os dados revelam que ainda existem desafios importantes para tornar esse deslocamento mais seguro, eficiente e acessível. Para o Itaú, apoiar essa agenda significa combinar soluções concretas, produção de conhecimento e articulação entre diferentes setores para acelerar transformações que contribuam para cidades mais sustentáveis e para uma economia de baixo carbono”, destaca Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco.

Para realizar a pesquisa, os pesquisadores percorreram mais de 10 mil quilômetros pelas ruas da capital utilizando um equipamento desenvolvido pelo Instituto Cordial em parceria com organizações alemãs, financiado pela FAPESP e reconhecido com o selo Bicicleta Brasil, do Ministério das Cidades. Com sensores e inteligência artificial, o dispositivo monitora indicadores relacionados à segurança, à convivência com o tráfego e às condições do ambiente urbano.

Os resultados também colocam em perspectiva a evolução da mobilidade por bicicleta nos últimos anos. Desde sua criação, o Bike Itaú acumula quase 6 milhões de cadastros, cerca de 5 milhões de usuários e mais de 107 milhões de viagens realizadas. Ao todo, foram percorridos 468 milhões de quilômetros, evitando a emissão de mais de 33 mil toneladas de CO₂.

Hoje, o sistema está presente em diferentes capitais brasileiras e registra mais de 300 mil usuários ativos por mês. Segundo a Tembici, o avanço da infraestrutura cicloviária e o surgimento de novas tecnologias estão ampliando o papel da bicicleta dentro do ecossistema de mobilidade urbana.

“Ao longo desses anos, vimos os quilômetros de ciclovias quase triplicarem e sabemos que fazemos parte dessa história. Hoje, mais de 300 mil pessoas se deslocam todos os meses com os nossos sistemas, e enxergamos um potencial enorme para os próximos anos. A mobilidade está vivendo uma nova transformação, com a bicicleta ganhando cada vez mais relevância, enquanto a eletrificação amplia as possibilidades de uso e de integração com outros modais. Temos muito orgulho do caminho que construímos com o Itaú e muito entusiasmo pelo que ainda podemos construir juntos”, afirma Tomás Martins, CEO e cofundador da Tembici.

Além do sistema de bicicletas compartilhadas, o Itaú informou que apoiou 11 organizações ligadas à agenda de mobilidade em 2025 e destinou R$ 52,8 milhões em investimento social privado não incentivado para iniciativas voltadas ao tema. Os dados da pesquisa reforçam que a combinação entre infraestrutura, segurança e integração entre modais segue sendo um dos principais caminhos para ampliar o uso da bicicleta e acelerar a construção de cidades mais eficientes e sustentáveis.

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