Para a instituição, economia brasileira deve crescer menos em 2027 e conviver com inflação elevada
Relatório da XP Investimentos traz um cenário de desaceleração da economia brasileira nos próximos meses, ao mesmo tempo em que aponta a permanência de desafios fiscais e inflacionários.
Segundo a instituição, o PIB brasileiro deve crescer 1,7% em 2026 e 1,0% em 2027, refletindo um ambiente de atividade mais fraca, crédito menos dinâmico e ritmo moderado de consumo. Embora o mercado de trabalho continue relativamente aquecido, indicadores recentes mostram perda de força em segmentos como indústria, comércio e serviços.
A inflação continua no radar. A XP elevou sua projeção para o IPCA de 2026 para 5,1% e para 2027 para 4,4%, citando como fatores de pressão os preços de alimentos, combustíveis e os efeitos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
No campo monetário, a expectativa permanece de redução gradual da taxa Selic. A casa projeta juros de 13,25% ao fim de 2026 e 11,50% ao final de 2027, mantendo a avaliação de que o Banco Central deve seguir um processo cauteloso de flexibilização.
A análise destaca ainda a situação fiscal como um dos principais desafios para o próximo governo. A XP projeta déficit primário de 0,3% do PIB neste ano e dívida pública próxima de 88% do PIB em 2027, reforçando a importância de medidas voltadas ao ajuste das contas públicas.
No setor externo, o relatório mostra um quadro mais favorável. A balança comercial segue robusta, impulsionada pelos preços elevados de commodities, especialmente petróleo e grãos. A expectativa é de que o fluxo de investimento direto estrangeiro continue suficiente para financiar o déficit em conta corrente do país.
Para o câmbio, a XP mantém projeção de R$ 5,00 por dólar ao final de 2026 e R$ 5,30 em 2027. A instituição observa que avanços na agenda fiscal após as eleições podem abrir espaço para uma valorização adicional do real.
O relatório também ressalta que o ambiente internacional segue misto para o Brasil. Enquanto a alta dos juros nos Estados Unidos representa um fator de atenção para mercados emergentes, os preços elevados das commodities continuam favorecendo os termos de troca e a geração de receitas externas para a economia brasileira.
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