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Como Itaú, Bradesco e BB estão se preparando para o próximo ciclo da economia brasileira

Lucas Andrade
7 de outubro de 2026

Relatório do BTG Pactual sobre a CEO Conference 2026, realizada em Nova York, destaca a principal mensagem dos grandes bancos brasileiros: 2027 tende a ser um ano desafiador para o setor financeiro, independentemente de quem esteja no comando do país após as eleições. A qualidade dos ativos e a evolução do ciclo de crédito seguem entre as maiores preocupações dos investidores.

O Itaú destacou que se considera preparado para enfrentar um cenário mais adverso e afirmou ter o balanço mais sólido de sua história. O banco avalia que ainda há espaço para deterioração da inadimplência no sistema financeiro, especialmente se o mercado de trabalho perder força. Apesar disso, a instituição mantém confiança em sua carteira de crédito e pretende utilizar ganhos de eficiência para fortalecer o relacionamento com clientes, inclusive por meio da redução de tarifas consideradas pouco atrativas.

Já o Bradesco trabalha com a expectativa de desaceleração da economia e do crédito até meados de 2027. O banco vem direcionando sua expansão para linhas de menor risco, como crédito consignado público, financiamentos imobiliários e operações para pequenas e médias empresas com garantias. Ao mesmo tempo, busca compensar a pressão sobre as receitas de crédito por meio de maior rentabilidade em depósitos, expansão de serviços para empresas e clientes de maior renda, além de novos avanços em eficiência operacional.

No Banco do Brasil, o principal foco de atenção continua sendo o agronegócio. Segundo o BTG, a deterioração da inadimplência no segmento rural segue pressionando os resultados, enquanto produtores têm recorrido cada vez mais a fontes alternativas de financiamento dentro da própria cadeia agrícola. O banco reconhece um ambiente mais difícil para o setor e o mercado acompanha com atenção os próximos resultados, diante da possibilidade de novas revisões nas projeções para os próximos trimestres.

O relatório também reforça uma tendência estrutural observada nos últimos anos: os bancos tradicionais vêm reduzindo sua exposição aos clientes de menor renda, movimento que pode abrir ainda mais espaço para o avanço das instituições digitais. Nesse contexto, o BTG mantém o Itaú como sua principal recomendação entre os grandes bancos, por considerar que a instituição está melhor posicionada para atravessar um cenário de crédito mais desafiador e continuar ganhando participação de mercado.

Entre os investidores estrangeiros, a percepção captada durante o evento foi de cautela antes das eleições, com muitos aguardando maior definição do cenário político para ampliar a exposição ao Brasil. Já os investidores locais têm direcionado parte dos recursos para empresas ligadas ao mercado de capitais. Entre Bradesco e Banco do Brasil, o BTG afirma preferir o Bradesco como aposta para um cenário macroeconômico mais favorável nos próximos anos.

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