Grupo Tokyo prevê investir R$ 25 milhões na recuperação do antigo cinema, que voltará como espaço para filmes, teatro e outras apresentações
O Cine Rosário, um dos antigos cinemas de rua do centro de São Paulo, deverá voltar a funcionar mais de sete décadas após encerrar as atividades. O Grupo Tokyo prevê investir cerca de R$ 25 milhões na recuperação do espaço, localizado dentro do Edifício Martinelli.
Fechado desde 1955, o cinema será transformado em uma sala preparada para receber filmes, peças de teatro e outras apresentações culturais. A proposta é trabalhar com programação e curadoria próprias, em um modelo diferente dos grandes complexos instalados em shopping centers.
Inaugurado em 1929, o Cine Rosário chegou a comportar cerca de 1.000 espectadores e foi considerado um dos cinemas mais sofisticados da cidade naquele período. A sessão de estreia exibiu “O Pagão”, produção da MGM estrelada por Ramón Novarro.
Ao longo das décadas, reformas alteraram parte das características originais da sala. Durante as prospecções para a nova obra, porém, foram encontrados elementos decorativos e pinturas antigas escondidos sob placas de gesso no teto.
A intenção é preservar e recuperar o que ainda resta da estrutura histórica, ao mesmo tempo em que o espaço será adaptado às atuais exigências de acessibilidade, acústica, segurança e tecnologia. A capacidade da nova sala ainda não foi definida.
A reabertura integra um projeto mais amplo do Grupo Tokyo para o Martinelli. A companhia estima investir aproximadamente R$ 100 milhões na recuperação e ocupação das áreas sob sua concessão, dos quais cerca de R$ 20 milhões já teriam sido aplicados.
Além do cinema, o plano inclui duas galerias de arte, espaços para eventos e workshops, mirantes, restaurante para cerca de 240 pessoas, café, loja de arte e design, estúdio para produção de conteúdo e uma instalação imersiva dedicada à história do edifício e do centro paulistano.
Quando todas as operações estiverem funcionando, a expectativa do grupo é receber cerca de 1 milhão de visitantes por ano. Atualmente, parte da área cultural do Martinelli já recebe visitas guiadas e eventos.
A conclusão das obras ainda depende de aprovações de órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio. Depois dessa etapa, a previsão é finalizar o projeto em até 18 meses.

Grupo amplia atuação em prédios históricos
A revitalização do Martinelli também faz parte de uma nova frente de negócios do Grupo Tokyo. A empresa, conhecida inicialmente pela atuação no setor de entretenimento, passou a investir na ocupação de imóveis históricos e tombados no centro de São Paulo.
Batizada de Epicentro, a estratégia prevê instalar restaurantes, bares, cinemas, espaços musicais e galerias em áreas antes subutilizadas desses prédios.
O grupo já trabalha em projetos envolvendo outros endereços históricos da capital, como o Edifício Itália e o Edifício Renata. Para 2026, a companhia projeta faturamento entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões.
No Martinelli, o retorno do Cine Rosário será uma das principais etapas desse movimento, combinando preservação de patrimônio com novas operações de cultura e entretenimento.
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