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Christian Louboutin transforma conto de fadas em espetáculo na Semana de Moda de Paris

Lorena Scavone Giron
5 de outubro de 2026
Desfile Primavera/Verão 2027 no Théâtre du Châtelet colocou Dita Von Teese no centro de uma narrativa sobre glamour, autonomia e encantamento

Christian Louboutin escolheu o palco do Théâtre du Châtelet, em Paris, para apresentar a coleção feminina Primavera/Verão 2027 com uma proposta que foi além do desfile tradicional. Batizado de “Eternal Youth”, o espetáculo transformou moda, dança e referências aos contos de fadas em uma narrativa sobre glamour e autonomia feminina.

O ponto de partida foi justamente uma definição antiga da palavra glamour. Antes de ser associada à exposição, ao desejo de ser visto e à imagem pública, o termo também carregava a ideia de feitiço e encantamento. Foi essa leitura que orientou a apresentação realizada em 2 de outubro.

No centro da história estava Dita Von Teese. Com cabelos negros, pele clara e lábios vermelhos, a artista apareceu em uma imagem que remetia imediatamente à Branca de Neve. A semelhança, porém, serviu apenas como ponto de partida. Na versão de Louboutin, não há princesa esperando ser salva: a personagem assume o controle da própria história.



Moda vira performance

A escolha de Dita também reforçou o caráter teatral da apresentação. Conhecida pelo burlesco e pela construção cuidadosa de sua imagem, ela funciona como uma espécie de ponte entre o glamour clássico de Hollywood e uma ideia mais contemporânea de poder feminino.

O desfile seguiu uma tendência cada vez mais visível nas grandes semanas de moda: apresentações deixam de funcionar apenas como vitrines para roupas e acessórios e passam a disputar atenção como experiências culturais completas, com cenografia, narrativa e performance.

Entre os convidados estavam nomes como Jaden Smith, Cynthia Erivo, Elizabeth Debicki, Heidi Klum, Law Roach e Milly Alcock, reforçando o cruzamento entre moda, cinema, música e cultura pop.

Em “Eternal Youth”, os famosos sapatos de sola vermelha aparecem dentro de uma narrativa maior. Mais do que vender uma imagem de juventude eterna, Christian Louboutin usa o conto de fadas para discutir quem controla a própria imagem e como o glamour pode voltar a significar transformação, e não apenas exposição.

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