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O caminho do dinheiro para as startups do clima

Lorena Scavone Giron
30 de setembro de 2026
Estudo seleciona 141 potenciais financiadores de tecnologias climáticas no Brasil e mostra por que encontrar o capital adequado é tão importante quanto desenvolver uma boa solução

Transformar uma solução ambiental em negócio exige mais do que uma tecnologia promissora. Entre o laboratório e o mercado, empreendedores precisam encontrar investidores dispostos a acompanhar o ritmo de desenvolvimento de seus produtos. Para as startups do clima, essa combinação nem sempre é simples: o dinheiro que financia a expansão de um aplicativo pode não se encaixar nos anos de pesquisa necessários para desenvolver uma nova tecnologia industrial.

É esse desencontro que o Mapa de Financiamento para Climatechs no Brasil, elaborado pelo Fórum Brasileiro das Climatechs com apoio do Instituto Itaúsa, procura ajudar a resolver. Publicado em julho de 2026, o estudo mapeou mais de 220 organizações nas categorias de capital não reembolsável e capital de risco e selecionou 141 com potencial de financiar empresas brasileiras do setor.

As chamadas climatechs desenvolvem tecnologias para reduzir emissões ou ajudar a economia a se adaptar às mudanças climáticas. Atuam em áreas como energia, agricultura, gestão de resíduos, água, transporte e indústria, com soluções que vão de softwares a equipamentos e biotecnologia.

O universo é diverso e vem ganhando corpo. O relatório cita o levantamento DeepClimate, de 2025, que identificou ao menos 254 empresas brasileiras de tecnologia de base científica voltadas ao clima. Dessas, 80% foram fundadas na última década.

Para crescer, porém, essas empresas precisam navegar por fontes de recursos com exigências bastante diferentes. Um fundo filantrópico, um banco e um investidor de capital de risco avaliam projetos sob perspectivas distintas. Segundo o estudo, compreender essas diferenças é parte do desafio de acesso ao financiamento.

O mapa organiza as alternativas em cinco grupos: recursos não reembolsáveis, capital de risco, crédito, mecanismos especiais e apoio não financeiro. Neste último entram recursos que não chegam diretamente ao caixa, mas podem fazer diferença no desenvolvimento do negócio, como infraestrutura de pesquisa, orientação técnica e conexões comerciais.

Empresas que ainda precisam validar uma tecnologia podem encontrar espaço em programas de fomento e parcerias de pesquisa. Já negócios com operação mais consolidada tendem a reunir melhores condições para atrair investidores ou tomar crédito. O ponto central é alinhar a fonte de recursos ao estágio da empresa, à necessidade de financiamento e às contrapartidas exigidas.

Os casos apresentados no relatório mostram como isso funciona na prática. A Regenera Moléculas do Mar, que desenvolve tecnologias a partir da biodiversidade marinha brasileira, combinou receitas de serviços, projetos com grandes empresas e recursos de fomento à inovação. Essa trajetória permitiu sustentar pesquisas com ciclos mais longos de desenvolvimento, pouco compatíveis com a expectativa de retorno rápido de parte dos investidores.

A Green Mining, de logística reversa de resíduos recicláveis, ilustra outro obstáculo: o tempo. Segundo o relato apresentado no estudo, a empresa levou cerca de dois anos entre a submissão de um projeto à Finep e a liberação dos recursos. O processo exigiu documentação, justificativas técnicas e parceria com uma instituição científica e tecnológica.

A experiência ajuda a explicar por que a captação precisa começar antes de o caixa apertar. Mesmo recursos que não exigem devolução envolvem seleção, comprovação da capacidade de execução e preparação financeira.

O relatório também destaca a possibilidade de combinar fontes ao longo da trajetória. Um aporte destinado à validação técnica pode abrir caminho para uma rodada de investimento; uma parceria industrial pode ajudar a transformar pesquisa em produto. Em estruturas de financiamento misto, recursos com maior tolerância ao risco podem facilitar a entrada de investidores privados.

A seleção de 141 organizações não representa uma oferta garantida de capital. O levantamento é um retrato das instituições identificadas pela pesquisa, e as condições de acesso variam. Sua contribuição está em organizar um mercado fragmentado e tornar mais clara uma decisão fundamental para os empreendedores: qual tipo de dinheiro pode ajudar a empresa a chegar à próxima etapa.

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