Painel especial em comemoração aos 3 anos de MONEY REPORT TV destacou o potencial do país em data centers, IA, energia e eletrificação, mas também cobrou avanços fiscais, regulatórios e de infraestrutura
O Brasil reúne condições para ampliar a atração de investimentos em setores ligados à inteligência artificial, data centers, energia e eletrificação, mas ainda precisa enfrentar gargalos fiscais, regulatórios, de infraestrutura e de segurança jurídica para transformar esse potencial em crescimento. Esse foi um dos principais pontos do debate especial promovido por MONEY REPORT TV em comemoração aos três anos de trajetória na BM&C News, que reuniu Felipe Miranda, fundador da Empiricus, Eduardo Carvalho, presidente da Equinix para a América Latina, e Daniel Slaviero, CEO da Copel.
Na avaliação de Felipe Miranda, o desafio brasileiro passa por três frentes: a institucional, a fiscal e a agenda de produtividade e atividade econômica. Para o fundador da Empiricus, o país precisa melhorar as condições para o investimento privado e aproveitar transformações globais que podem abrir novas oportunidades. “A gente poderia estar na liderança da força financeira e produtiva”, afirmou, ao defender avanços estruturais que permitam ao Brasil aproveitar tendências como a transição energética e a inteligência artificial.
Eduardo Carvalho destacou que a expansão da IA aumenta de forma significativa a demanda mundial por infraestrutura de processamento e armazenamento de dados. Segundo ele, a Equinix pretende investir, nos próximos cinco anos, um volume equivalente ao que aplicou em seus 28 anos de operação. O executivo apontou São Paulo como principal polo para essa expansão no país, embora outras regiões também possam receber projetos.
Carvalho, porém, ressaltou que a disponibilidade de energia e a infraestrutura de transmissão são fatores determinantes para a expansão dos data centers. O executivo da Equinix chamou atenção para a necessidade de avanços regulatórios e de planejamento para que o Brasil consiga aproveitar a janela de oportunidade criada pela inteligência artificial. A avaliação é que o país já perdeu parte da primeira onda de investimentos voltados à infraestrutura de treinamento de modelos, mas ainda há espaço para avançar na chamada infraestrutura de inferência. “Se nós esperarmos a infraestrutura que nós temos hoje, perderemos uma janela muito grande. Precisamos aproveitar esse momento”, afirmou.
Daniel Slaviero, por sua vez, destacou a expansão da demanda por energia como uma das principais oportunidades para a economia brasileira nos próximos anos. Além da inteligência artificial e dos data centers, ele citou a eletrificação da mobilidade como um vetor adicional de crescimento. “O setor de energia, nos próximos anos, vai aquecer”, afirmou. Para o executivo, o país reúne vantagens competitivas importantes por conta da participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica.
O CEO da Copel apontou o Sul do país, especialmente o Paraná, como uma região com potencial de crescimento. Segundo ele, a expansão do agronegócio e das cooperativas, com maior agregação de valor à produção, cria demanda por energia, logística e infraestrutura. Ao mesmo tempo, Slaviero defendeu a necessidade de aperfeiçoar sinais de preço e reduzir distorções provocadas por subsídios no setor elétrico.



Ao longo do debate, os executivos também discutiram os obstáculos para a expansão da infraestrutura. Entre os pontos mencionados estiveram a necessidade de ampliar linhas de transmissão, acelerar processos de licenciamento e permissões e garantir maior previsibilidade regulatória. A discussão ganhou relevância diante da perspectiva de crescimento simultâneo da demanda por energia de data centers, veículos elétricos e outras aplicações intensivas em eletricidade.
Ao final do painel, liderado pelo publisher de MR, Aluizio Falcão Filho, foi unânime o entendimento dos executivos de que a combinação entre política fiscal e monetária também é central para criar um ambiente mais favorável ao investimento: um quadro fiscal mais expansionista tende a aumentar a pressão sobre a política monetária, enquanto um ajuste das contas públicas pode abrir espaço para uma condução menos restritiva dos juros.



O programa especial será exibido no dia 1º de outubro, às 21h, com oferecimento de BDO, BTG Pactual, BVA, CBRE, Elytron, JHSF, Grupo SEB, Motiva, Pado, PwC Brasil, Randoncorp, Sabin, Travelex Bank.
Patrocínio: Equinix, Lexus
Media partner: BM&C News
Onde assistir: Claro TV+ (canal 547), Vivo TV+ (canal 579), Oi TV (canal 172), Samsung TV Plus (canal 2053) e Pluto TV
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