O cuidado com a saúde está cada vez mais presente nas decisões do dia a dia dos consumidores. Do café da manhã às escolhas no supermercado, passando pelo uso de aplicativos, dispositivos conectados e ferramentas de inteligência artificial, a busca por bem-estar vem redefinindo hábitos de consumo e criando novas oportunidades para empresas de diversos setores. As conclusões fazem parte da pesquisa Voz do Consumidor 2026, da PwC, realizada com 21.808 consumidores em 27 países, incluindo o Brasil.
O estudo mostra que saúde e bem-estar deixaram de ser interesses pontuais para se tornarem parte da rotina. No Brasil e no mundo, sete em cada dez consumidores mantêm pelo menos dois hábitos regulares relacionados à saúde e à nutrição. Além disso, as compras costumam se distribuir entre três e quatro categorias de bem-estar.
A pesquisa aponta que o consumidor brasileiro demonstra forte interesse por soluções que combinam produtos e serviços. Nutrição, suplementos e cuidados pessoais lideram a demanda, com 91% dos brasileiros já tendo comprado ou manifestado interesse nessas categorias. Ao mesmo tempo, cresce a procura por diagnósticos, monitoramento, programas de orientação, dispositivos conectados e ferramentas digitais voltadas à saúde.
A tecnologia tem papel central nessa transformação. No Brasil, 86% dos entrevistados utilizam aplicativos ou dispositivos vestíveis para alguma atividade relacionada à saúde e ao bem-estar, percentual superior à média global de 80%. O país também está entre os líderes no uso de inteligência artificial para dúvidas de saúde, com 69% dos consumidores recorrendo a essas ferramentas como primeira fonte de informação.
Apesar do avanço tecnológico, a confiança continua concentrada em especialistas. Enquanto a IA funciona como porta de entrada para informações, profissionais de saúde seguem sendo a principal influência nas decisões dos consumidores. A combinação entre conveniência digital e credibilidade aparece como um dos fatores mais importantes para o sucesso das empresas que atuam nesse mercado.
Um dos exemplos destacados pela pesquisa está relacionado à qualidade do sono. Melhorar o sono figura entre os principais objetivos de saúde dos brasileiros, mas o número de pessoas que monitoram regularmente esse aspecto ainda é relativamente baixo. Segundo a PwC, essa diferença entre interesse e acompanhamento abre espaço para novos produtos, serviços e modelos de negócio envolvendo wearables, nutrição, ambientes inteligentes, farmácias e atendimento clínico.
O levantamento também mostra que medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e diabetes, estão ampliando o interesse dos consumidores por hábitos saudáveis. Usuários dessas terapias relatam maior atenção à alimentação, aos rótulos nutricionais, à prática de exercícios físicos e ao monitoramento da própria saúde, criando oportunidades para empresas que atuam em diferentes etapas da jornada de bem-estar.
Para os negócios, a pesquisa indica que as oportunidades vão além da venda de produtos. Nos setores de alimentos e bebidas, cresce a demanda por ofertas ligadas a funções específicas, como energia, saciedade e qualidade do sono. Em cuidados pessoais, saúde, beleza e bem-estar passam a se integrar cada vez mais. No varejo, especialmente nas farmácias, ganha força o papel de orientação ao consumidor. Já hospitais, operadoras e farmacêuticas encontram espaço para ampliar a atuação ao longo de toda a jornada de saúde, combinando atendimento, monitoramento, educação e suporte personalizado.
A principal mensagem do estudo é que o cuidado com a saúde está acontecendo com mais frequência, em mais lugares e com o apoio de mais ferramentas. Para as empresas, o desafio passa por oferecer soluções simples, confiáveis e relevantes em momentos cada vez mais presentes na rotina dos consumidores.
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