PATROCINADORES

O que Lula disse na ONU sobre soberania, eleições, Gaza e tarifaço

Da redação
22 de setembro de 2026
Presidente afirmou que “Brasil não cabe no quintal de ninguém”, criticou interferências externas, falou sobre crime organizado e defendeu mudanças no sistema multilateral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (22) a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com um discurso centrado em soberania nacional, interferência externa, guerras, crime organizado e relações econômicas. O Brasil tradicionalmente é o primeiro país a discursar no debate geral, seguido pelos Estados Unidos.

Um dos principais recados foi direcionado às tentativas de interferência estrangeira nos processos políticos da América Latina. Sem citar diretamente os Estados Unidos nesse trecho, Lula afirmou que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e declarou que o país continuará soberano.

Ao tratar das relações entre a América Latina e grandes potências, o presidente afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e defendeu relações internacionais baseadas em cooperação, em vez de subordinação.

Tarifaço e economia

Lula também abordou as barreiras comerciais impostas ao Brasil e afirmou que, apesar do que chamou de “tarifaço”, o país deverá registrar um novo recorde de exportações neste ano.

A política comercial tornou-se um dos pontos de tensão entre os governos brasileiro e americano ao longo de 2026, ao lado de divergências diplomáticas e de segurança.

Gaza e Hamas

No campo internacional, Lula voltou a tratar da guerra em Gaza. O presidente classificou os atos do Hamas como terroristas e, ao mesmo tempo, acusou o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de cometer genocídio contra palestinos em Gaza.

A caracterização da atuação israelense como genocídio foi apresentada por Lula em seu discurso; a classificação jurídica do conflito permanece objeto de processos e disputas internacionais.

O presidente também criticou a incapacidade da ONU de impedir guerras e afirmou que a credibilidade da organização foi afetada pelo que chamou de imobilismo do Conselho de Segurança. A reforma do órgão é uma posição defendida há anos pelo governo brasileiro.

Crime organizado e presença militar estrangeira

Lula ainda rejeitou a ideia de que o Brasil precise de presença militar estrangeira para enfrentar organizações criminosas.

“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, afirmou, ao defender maior cooperação internacional para interromper os fluxos de armas e recursos financeiros ligados ao crime.

O presidente disse que o país não pretende “terceirizar” a proteção das fronteiras e citou operações contra organizações criminosas e medidas legislativas adotadas pelo governo brasileiro.

Soberania fecha discurso

O tema da soberania voltou no encerramento. Lula afirmou que eventuais tentativas de interferência externa não mudarão a condução do processo democrático brasileiro.

“A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”, declarou.

A fala ocorreu na abertura da semana de alto nível da Assembleia Geral, que reúne chefes de Estado e de governo em Nova York entre 22 e 28 de setembro.

Gostou do conteúdo? Inscreva-se e receba a newsletter de MONEY REPORT

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também