Contrato de dez anos movimenta R$ 1,17 bilhão e envolve 91,4 mil metros quadrados na Chucri Zaidan
O Itaú Unibanco fechou um contrato de dez anos para ocupar integralmente as duas torres do complexo Esther Towers, desenvolvido pela Eztec na Avenida Chucri Zaidan, em São Paulo. A operação, intermediada pelas consultorias Binswanger Brazil e CBRE, movimentará R$ 1,17 bilhão em receitas de locação para a incorporadora ao longo do período. O contrato poderá ser prorrogado por mais cinco anos.
A locação envolve cerca de 91,4 mil metros quadrados de escritórios e é considerada pela Binswanger a maior operação já registrada no mercado paulistano de escritórios corporativos de alto padrão. O volume equivale a mais de quatro vezes a média das maiores locações individuais recentes na capital.
O espaço deverá comportar aproximadamente 9.600 posições de trabalho e faz parte do plano de investimentos em infraestrutura do Itaú diante da evolução do modelo híbrido adotado pelo banco. A instituição alterou neste ano sua política de trabalho para estabelecer, a partir do primeiro trimestre de 2028, presença mínima de três dias por semana para funcionários administrativos. Para superintendentes, a exigência será de quatro dias, a partir de janeiro de 2027.
A movimentação também reflete uma mudança no mercado de escritórios corporativos após a expansão do home office durante a pandemia. O Itaú havia devolvido parte dos imóveis ocupados antes da adoção do trabalho remoto, mas agora amplia novamente sua estrutura física. Segundo o banco, a escolha do Esther Towers considerou infraestrutura, operação e necessidades futuras, com foco em colaboração e integração entre equipes.
Efeito sobre a Chucri Zaidan
A operação também altera o cenário de oferta de escritórios na Chucri Zaidan. De acordo com levantamento da Binswanger, a taxa de vacância de imóveis dos padrões A e A+ na região cai de 13,5% para 12% com a ocupação do Esther Towers.
Sem a locação, a entrada do empreendimento no mercado elevaria a vacância da região para cerca de 22%, segundo a consultoria. No segundo trimestre, a Chucri Zaidan registrou absorção líquida de 17.885 metros quadrados, enquanto o estoque chegou a 817.847 metros quadrados com a entrada do Éden Corporate.
Para Eduardo Cardinali, diretor de Transações de Escritórios da Binswanger, a operação indica que a região vem se consolidando como um polo corporativo, além de funcionar como alternativa às áreas mais tradicionais de escritórios de alto padrão.
“A Chucri deixa de ser apenas uma alternativa de custo à Faria Lima e passa a ser um hub corporativo consolidado de São Paulo”, afirmou.
Na avaliação da sócia-diretora da Binswanger, Simone Santos, o tamanho da operação também chama atenção diante da absorção média do mercado. A capital paulista registra absorção líquida média trimestral de aproximadamente 90 mil metros quadrados, volume próximo à área contratada pelo Itaú.
Ativo da Eztec
Para a Eztec, o contrato dá novo destino ao complexo Esther Towers, cuja construção começou em 2019. Uma das torres já recebeu o Habite-se, enquanto a segunda tem entrega prevista para o terceiro trimestre de 2027.
O contrato prevê correção pelo IPCA e revisões conforme a evolução dos preços de mercado. Segundo apuração do Estadão/Broadcast, o aluguel pedido estava na faixa de R$ 120 a R$ 125 por metro quadrado, enquanto o valor líquido, considerando o período de carência, ficou próximo de R$ 106 por metro quadrado.
A locação também abre caminho para uma possível monetização do empreendimento. A Eztec já havia informado que avaliava a venda do complexo após a contratação do inquilino. Estimativas de mercado citadas pelo Estadão apontam valor próximo de R$ 1,5 bilhão para o Esther Towers. Como locatário, o Itaú possui prioridade em uma eventual aquisição do complexo.
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