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Restrição às bets pode devolver bilhões ao consumo, avalia BTG

Lucas Andrade
18 de setembro de 2026
Banco alerta, no entanto, para migração dos gastos para operadores ilegais

O governo federal avalia uma mudança radical na política para o setor de apostas no Brasil. Segundo informações divulgadas pela imprensa, uma medida provisória em elaboração pode proibir os jogos de cassino online e impor fortes restrições, ou até mesmo banir, as bets. A proposta ainda está sendo discutida e pode sofrer alterações, mas sinaliza uma possível reversão de um mercado regulado que começou a operar oficialmente apenas em janeiro de 2025.

O debate ocorre em meio ao rápido crescimento da indústria de apostas no país. De acordo com o BTG Pactual, cerca de 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas em 2025, o equivalente a aproximadamente 15% da população adulta. No período, a receita bruta do setor, descontados os prêmios pagos aos jogadores, alcançou cerca de R$ 36,9 bilhões, consolidando as apostas como uma nova categoria relevante de gastos das famílias brasileiras.

O banco destaca em relatório que a expansão do setor coincidiu com um cenário já desafiador para o orçamento doméstico. O endividamento das famílias brasileiras está próximo de 50% da renda disponível, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas se aproxima de 30%. Embora fatores como juros elevados e expansão do crédito tenham papel importante nesse contexto, o BTG aponta evidências de que as apostas podem ter contribuído para aumentar a pressão financeira sobre parte da população.

Dados citados pela instituição mostram que milhões de beneficiários de programas sociais realizaram transferências para plataformas de apostas, o que levou o governo a restringir o acesso de participantes de programas como Bolsa Família, BPC e Fies a contas em operadores licenciados. Mais de 3 milhões de pessoas já teriam sido bloqueadas até agosto de 2026.

Para o BTG Pactual, uma eventual redução do volume destinado às bets poderia abrir espaço para maior consumo em outros setores da economia ou para a amortização de dívidas das famílias. No entanto, o banco ressalta que parte desses recursos pode migrar para operadores ilegais, o que representaria um dos principais desafios de uma eventual proibição do setor após os avanços recentes na regulamentação do mercado brasileiro.

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