Banco reduziu projeção para o PIB em 2026 e vê economia brasileira perder fôlego até 2027
A economia brasileira entrou em uma fase de desaceleração mais evidente, segundo avaliação do time de Pesquisa Econômica do Bradesco, liderado pelo economista Fernando Honorato Barbosa. Em relatório, o banco revisou para baixo as projeções de crescimento do país e passou a esperar expansão de 1,7% do PIB em 2026 e de 1,0% em 2027.
De acordo com o estudo, os dados do segundo trimestre confirmaram uma perda de fôlego da atividade econômica mesmo em um ambiente marcado por estímulos ao consumo e ao crédito. Os primeiros indicadores do terceiro trimestre também apontam para continuidade desse movimento, com poucos vetores de crescimento relevantes para o próximo ano.
O consumo das famílias, tradicional motor da economia brasileira, tem apresentado desempenho abaixo da média histórica. Apesar do mercado de trabalho ainda aquecido e da expansão da renda, o elevado endividamento das famílias e os juros altos têm limitado a capacidade dos estímulos econômicos impulsionarem o crescimento.
As projeções do Bradesco indicam que a inflação deverá encerrar 2026 em 4,9%, desacelerando para 4,1% em 2027. O relatório do banco destaca que os impactos dos choques observados no início do ano, especialmente em alimentos e derivados de petróleo, começam a perder força, embora fatores climáticos e geopolíticos ainda representem riscos para os preços.
No cenário de política monetária, a instituição financeira vê espaço para a continuidade do ciclo de redução dos juros. A expectativa é que a taxa Selic encerre 2026 em 13,25% e chegue a 11% em 2027, desde que o câmbio permaneça relativamente estável e não haja uma valorização mais intensa do dólar.
A taxa de câmbio, por sua vez, segue em um intervalo considerado confortável. O Bradesco mantém a projeção de dólar a R$ 5,00 no fim de 2026 e R$ 5,20 no encerramento de 2027, embora reconheça um ambiente externo mais desafiador e sujeito a oscilações.
O mercado de trabalho continua resiliente, mas já apresenta sinais de moderação. O relatório prevê taxa média de desemprego de 5,5% em 2026, avançando para 6,1% em 2027, refletindo uma geração de vagas menos intensa nos próximos anos.
Outro ponto de atenção é o quadro fiscal. As projeções apontam para uma dívida bruta equivalente a 83,6% do PIB em 2026 e 88,2% em 2027. Segundo os economistas, a condução da política fiscal continuará sendo um dos principais fatores para a trajetória dos juros de médio e longo prazo no país.
No ambiente internacional, o banco destaca o aumento dos juros nos Estados Unidos, a elevação dos rendimentos dos títulos de longo prazo e as tensões no Oriente Médio como os principais fatores de risco para as economias emergentes.
Ainda assim, a avaliação é que os impactos sobre o Brasil permanecem limitados até o momento, principalmente porque o dólar não apresentou um movimento de fortalecimento consistente frente às principais moedas globais.
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