Projeto de mais de R$ 100 milhões transforma área subutilizada do Conjunto Nacional em plataforma de gastronomia e cultura, com potencial de expansão regional
A Tacada da Semana de MONEY REPORT destaca o Time Out Market e a estratégia conduzida por Benjamin Ramalho (imagem), responsável pela franquia na América Latina, para fazer de São Paulo a vitrine regional da marca. A primeira unidade latino-americana será instalada no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, com inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2027.
O projeto ocupará cerca de 3,2 mil metros quadrados, com 17 cozinhas, uma padaria, três bares, espaço para eventos e capacidade para receber entre 750 e 800 pessoas. As obras começaram em maio e o investimento, realizado em parceria com a Nomad, supera R$ 100 milhões.
A aposta, porém, vai além da abertura de um grande mercado gastronômico. O objetivo é transformar uma área antes subutilizada do Conjunto Nacional em um ponto de convivência integrado à rotina da Paulista, capaz de funcionar durante diferentes períodos do dia e de dialogar com museus, cinemas, centros culturais, escritórios e eventos da região.
“O sucesso não é só o número de pessoas aqui dentro do mercado, mas a forma como esse projeto se integra ao calendário da cidade de São Paulo”, afirmou Ramalho a MONEY REPORT.
A localização, na avenida mais famosa do Brasil, é parte central da estratégia. Em vez de funcionar como um destino isolado, o Time Out Market pretende se posicionar como um “terceiro lugar” entre casa e trabalho, onde o público possa almoçar, tomar café, fazer reuniões, participar de eventos ou começar um passeio pela cidade. Um hub instalado na entrada deverá conectar os visitantes à programação cultural da Avenida Paulista, com informações, venda de ingressos e possíveis roteiros a pé.
O modelo nasceu em Lisboa, em 2014, a partir da curadoria editorial da revista Time Out. Enquanto veículos de comunicação migravam para o digital, a empresa levou seu conhecimento sobre gastronomia e cultura para o espaço físico. A unidade portuguesa continua sendo a principal referência da operação e recebe mais de 1 milhão de visitantes brasileiros por ano, segundo Ramalho.
Em São Paulo, o desafio será reproduzir a lógica do negócio sem simplesmente copiar o que funcionou em outras cidades. A seleção das cozinhas deverá reunir chefs conhecidos, novos talentos, restaurantes tradicionais e operações temporárias. O processo contará com especialistas da cena gastronômica paulistana e representantes da estrutura global da marca.
“O Time Out Market de São Paulo é diferente de Lisboa e de Nova York. São outras demandas, desejos e paixões locais”, afirmou o executivo, que define o modelo como uma “plataforma global com tempero local”.
A parceria com a Nomad acrescenta outra camada à operação. A empresa terá um restaurante de ocupação rotativa dedicado a chefs e marcas internacionais, além de um lounge e benefícios para clientes. Para a companhia financeira, o acordo representa uma forma de criar presença física e ampliar sua atuação no território das experiências.
São Paulo também deverá funcionar como laboratório para novos mercados. O contrato prevê a possibilidade de expansão para outras cidades brasileiras e sul-americanas, embora ainda não existam destinos confirmados.
“São Paulo, sem dúvida nenhuma, é a flagship para a América Latina”, afirmou Ramalho.
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