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Economistas do BTG preveem PIB de 1% em 2027 e risco de crescimento ainda menor

Rodrigo Dias
31 de agosto de 2026
Cenário considera desaceleração da atividade e possível contração do crédito, com dívida podendo se aproximar de 90% do PIB em 2028

A economia brasileira deve desacelerar para um crescimento próximo de 1% em 2027, com risco de um desempenho ainda mais fraco. A avaliação foi apresentada pelos economistas do BTG Pactual nesta segunda-feira (31), no painel de encerramento do Macro Day. Segundo Tiago Berriel, sócio e Head de Macro Research do BTG Pactual, o cenário tem “assimetria para baixo”, diante dos juros elevados, da menor força do impulso fiscal e do endividamento de famílias e empresas. “O crescimento pode ser zero ou negativo, a depender da contração de crédito por parte das famílias”, afirmou.

Para Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do banco, o principal desafio continua sendo a trajetória das contas públicas. Ele destacou que, enquanto o PIB brasileiro deve acumular expansão próxima de 11% em quatro anos, o gasto público federal terá crescido cerca de 21% em termos reais no período. Pelas projeções apresentadas, a dívida pública pode alcançar entre 87% e 88% do PIB em 2027 e chegar a 90% já no primeiro semestre de 2028.

Mansueto defendeu que um ajuste capaz de alterar essa trajetória terá de passar pelo controle das despesas obrigatórias e pela revisão de mecanismos de indexação, incluindo a atual política de valorização real do salário mínimo. O economista citou o período do governo Michel Temer para argumentar que uma sinalização fiscal considerada crível pode produzir efeitos rápidos sobre as expectativas e os juros, mesmo antes de uma melhora expressiva do resultado primário.

Samuel Pessôa, pesquisador macroeconômico do BTG Pactual, também relacionou os juros elevados à dinâmica dos gastos públicos. Para ele, não há uma característica estrutural que condene o Brasil a operar permanentemente com taxas reais muito superiores às de outras economias. Com uma trajetória fiscal mais equilibrada, Pessôa afirmou ser possível o país caminhar para juros reais na faixa de 3,5% a 4%. “O problema está no fiscal”, resumiu.

Na política monetária, a avaliação é de que ainda há espaço para a continuidade do atual ciclo de redução da Selic, embora uma pausa possa ocorrer depois do próximo movimento. Berriel afirmou que “o próximo corte está dado”, mas vê um argumento bastante sólido para o Banco Central (BC) interromper temporariamente o ciclo diante das expectativas de inflação e de riscos como efeitos climáticos e uma eventual mudança da escala 6×1.

Eduardo Loyo, sócio do BTG Pactual, ponderou que a desaceleração da economia não deve, por si só, levar o BC a evitar todo e qualquer enfraquecimento da atividade. Com a inflação ainda acima da meta e as expectativas desancoradas, algum grau de desaceleração deverá ser tolerado para que os preços voltem a convergir.

No cenário externo, os economistas também destacaram que juros estruturalmente mais altos nos Estados Unidos tornam ainda mais necessária uma melhora fiscal em países emergentes endividados como o Brasil.

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