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Natura troca comando e BTG vê primeiros sinais de nova fase na governança

Da redação
31 de agosto de 2026
Alessandro Carlucci volta à presidência, Fábio Barbosa retorna ao Conselho e banco vê movimento positivo, mas ainda espera melhora operacional

A Natura anunciou uma mudança relevante em sua liderança após dez anos sob o comando de João Paulo Ferreira. Alessandro Carlucci, que já presidiu a companhia entre 2005 e 2014, assume novamente o cargo de CEO em 1º de outubro, enquanto Fábio Barbosa volta à presidência do Conselho de Administração.

A troca acontece em um momento de pressão sobre os resultados da companhia. No segundo trimestre de 2026, a Natura registrou lucro líquido de R$ 35 milhões, queda de 82% em relação ao mesmo período do ano anterior, em meio a dificuldades operacionais no Brasil, menor disponibilidade de produtos e efeitos de mudanças comerciais.

João Paulo Ferreira deixa a presidência após uma década marcada pela digitalização da venda direta, pela integração da Avon e pela expansão das operações latino-americanas. A transição para Carlucci começa imediatamente.

A movimentação ocorre também em meio a uma transformação mais ampla na estrutura de governança da empresa.

Em relatório divulgado na sexta-feira (28), o BTG Pactual classificou as recentes mudanças como os “primeiros passos” de uma nova fase da Natura após a entrada da Advent International na estrutura acionária. O fundo passou a ter representantes no Conselho, que foi ampliado para dez integrantes, além de mudanças no Comitê de Auditoria e da aprovação de um novo programa de opções de ações.

BTG vê mudança positiva, mas mantém cautela

Para o BTG, a maior presença da Advent no Conselho deve ampliar a influência do novo acionista sobre decisões estratégicas e pode abrir caminho para mudanças mais profundas na gestão e nas operações da companhia.

O banco, no entanto, considera que a melhora da tese de investimento dependerá menos das mudanças formais de governança e mais da capacidade da Natura de traduzir a nova estrutura em resultados.

“Vemos o anúncio como positivo, embora ainda preliminar”, afirma o relatório. Os analistas destacam que o cenário operacional continua desafiador e que o potencial de valorização dependerá de evidências concretas de melhora financeira e operacional. Por isso, o BTG manteve recomendação neutra para NATU3.

O banco trabalha com preço-alvo de R$ 12 para a ação, ante cotação de R$ 8,91 considerada no relatório, o que implica potencial de valorização de 34,7%. A recomendação, ainda assim, permanece neutra.

As projeções do BTG indicam melhora gradual dos números da companhia. A estimativa é de receita de R$ 23,8 bilhões em 2026, subindo para R$ 25,6 bilhões em 2027 e R$ 27,5 bilhões em 2028. O lucro líquido projetado passa de R$ 1,18 bilhão neste ano para R$ 1,54 bilhão em 2027 e R$ 1,86 bilhão em 2028.

A margem Ebitda também é esperada em trajetória de recuperação, de 13,9% em 2026 para 14,6% em 2028, enquanto a relação entre dívida líquida e Ebitda cairia de 0,6 vez para 0,1 vez no mesmo período.

A leitura do mercado, portanto, deve se concentrar menos na troca de nomes e mais no que a nova configuração conseguirá entregar. Depois das mudanças no Conselho e agora no comando executivo, a Natura entra em uma fase em que governança, disciplina operacional e recuperação de rentabilidade passam a caminhar juntas.

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