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Investidores privados ampliam protagonismo no financiamento da infraestrutura no Brasil

Da redação
28 de agosto de 2026

O mercado de capitais vem consolidando seu papel como fonte central de recursos para a infraestrutura brasileira. Segundo levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), desde 2018 as emissões de debêntures incentivadas somaram R$ 554,99 bilhões, com mais de 86% destinados a setores essenciais como energia elétrica, saneamento, transporte, logística e telecomunicações.

“As debêntures incentivadas ajudaram a estabelecer uma ponte mais direta entre o mercado de capitais e a necessidade de ampliar a infraestrutura do país. Esse instrumento ganhou escala, diversificou a base de financiamento e passou a ocupar um espaço estratégico em setores essenciais para o crescimento econômico”, afirma Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da Anbima.

O financiamento privado vai além das debêntures incentivadas. Entre 2018 e 2025, o volume acumulado de emissões de títulos de dívida para infraestrutura alcançou R$ 559,7 bilhões, incluindo debêntures tradicionais, notas comerciais e FIDCs. Esse avanço reflete uma mudança estrutural: hoje, 83,9% dos investimentos em infraestrutura são privados, contra 16,1% públicos.

A indústria de fundos de investimento em infraestrutura também ganhou escala. Em dezembro de 2025, o patrimônio líquido desses fundos chegou a R$ 352,7 bilhões, com quase 70% concentrados em energia elétrica e transporte e logística.

“Quando o investidor acessa fundos voltados à infraestrutura, ele participa do financiamento de projetos de longo prazo que têm impacto concreto nos projetos voltados a energia, mobilidade, saneamento e logística. É uma dinâmica que fortalece o mercado de capitais e, ao mesmo tempo, apoia a modernização do país”, destaca a executiva da Anbima.

Estudos do FGV IBRE mostram que cada R$ 1 milhão investido em infraestrutura gera entre R$ 2,86 milhões e R$ 3,34 milhões em atividade econômica. O ciclo atual reforça a relevância do mercado de capitais para reduzir a dependência do orçamento público e sustentar agendas de crescimento e produtividade no Brasil.

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