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Casa Santo Antônio: pratos maravilhosos na Granja Julieta

Aluizio Falcão Filho
30 de agosto de 2026

A partir desta semana, vamos publicar ao menos duas vezes por mês resenhas sobre restaurantes fora do eixo Jardins-Itaim Bibi. A ideia é tentar fugir do óbvio e mostrar que a boa cozinha não precisa necessariamente ter um endereço estrelado. Começamos essa série por um estabelecimento selecionado pelo Guia Michelin: a Casa Santo Antônio, fundada em 2013, situada na Granja Julieta. O menu é italiano e muitíssimo bem executado. O problema é que o serviço é demorado. Mesmo assim, vale a espera. Os pratos são deliciosos e originais.

Até o dia 20 de setembro, a casa oferece o Menu Toscana, que pode ser de três ou de quatro tempos. Depois de uma rápida olhada, decidimos optar por este cardápio e não nos arrependemos. Começamos com um creme de lentilhas com pancetta e funghi que estava divino (poderia, porém, ter chegado à mesa mais aquecido). Muito bom. A outra entrada foi um creme de bacalhau servido em crostini, uma espécie de bacallá mantecado bem temperado.

Como primeiro prato, escolhemos um papardelle ao ragu de pato e um pici com bottarga e mini lulas (imagem). Na primeira opção, o pato vem com um molho de tomate. Estranhei um pouco, pois esperava que a massa viria com o caldo do próprio assado. Apesar da surpresa, o resultado foi ótimo. Não decepcionou.

Já o pici (uma espécie de spaghetti mais gordo, feito à mão) roubou a cena. A massa vem com um elemento crocante inesperado: ervilha torta cortada em pequenas fatias. A lula e a bottarga fazem uma dupla muito boa e deixam uma vontade de repetir o pedido.

Como segundo prato, experimentamos o Maialino Arrosto, um porco assado no ponto certo, que vem com um molho glaceado e acompanhado de feijões brancos. Esse acompanhamento, por sinal, vem um uma cenoura um pouco crua, o que vai fazer toda a diferença em termos de sabor e de crocância.

As sobremesas também merecem elogios rasgados. Pedimos duas. Uma foi uma tartelete e chocolate com creme de avelã. Seu único defeito é o tamanho, pequeno para tanta gostosura. A outra opção foi um pão de ló recheado com zabaione, pistache e chocolate (aliás, uma calda de chocolate para ninguém botar defeito).

O Guia Michelin recomenda esse local, mas não conferiu ao estabelecimento nenhuma estrela. Talvez isso acontecesse se a decoração fosse melhorada (a casa, dos anos 1960, tem uma escada em espiral deslumbrante, mas as mesas e sofás merecem uma renovação) e o serviço fosse mais rápido (embora seja bastante simpático e solícito).

Na minha avaliação, no entanto, a cozinha do Santo Antônio ganhou uma estrela nessa primeira visita. Voltaremos.

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