Healthtech usa inteligência artificial para revisar faturamento hospitalar e afirma identificar perdas evitáveis de até 12% nas despesas
A healthtech Revena pretende alcançar R$ 8 bilhões em contas médicas processadas até o fim de 2026, ampliando sua presença em uma área ainda marcada por processos manuais nos hospitais: o ciclo de receita. A empresa, que captou R$ 40 milhões em uma rodada seed liderada pela Canary, com participação da Flourish Ventures e da Caravela Capital, afirma ter crescido mais de 20 vezes em 2025 e projeta expansão de 10 vezes neste ano.
A plataforma utiliza inteligência artificial para cruzar prontuários, contratos firmados com operadoras, protocolos hospitalares e informações dos sistemas de gestão. O objetivo é identificar procedimentos ou materiais que poderiam deixar de ser cobrados, inconsistências nas contas e oportunidades de faturamento antes do envio para os planos de saúde. Segundo a Revena, uma internação de poucos dias pode gerar centenas de itens e páginas de prontuário, exigindo horas de conferência manual.
Nos projetos realizados até agora, a empresa afirma ter encontrado entre 5% e 12% de perdas evitáveis no faturamento dos hospitais. A tecnologia também teria reduzido entre 55% e 75% o esforço operacional em atividades de conferência e auditoria e, em algumas operações, diminuído para até 48 horas o prazo de fechamento das contas. A Revena estima que a adoção desse tipo de ferramenta em maior escala poderia evitar mais de R$ 20 bilhões em perdas financeiras no sistema hospitalar brasileiro nos próximos anos.
Fundada por Mateus Noronha, ex-cofundador da Eduqo, vendida para a Arco Educação, e Diogo Freitas, que participou da expansão da Buser, a Revena atende atualmente 60 hospitais e está presente em quatro das 10 maiores redes hospitalares do país. Para Noronha, a aplicação de IA na saúde deve avançar além da assistência médica e atingir também os processos financeiros. “A conta médica é onde cuidado, contrato e caixa se encontram. É também um dos maiores pontos de perda financeira da saúde”, afirma.
A companhia também reforçou sua estrutura executiva com a contratação de Adriana Rangel como CMO. Com passagens por Microsoft, HPE, VMware, UiPath e Nilo Saúde, a executiva ficará responsável pelo posicionamento da marca e pela expansão comercial junto às redes hospitalares. Para a Revena, a pressão dos custos e o crescimento da demanda por serviços de saúde devem acelerar os investimentos dos hospitais em tecnologias voltadas à eficiência operacional e à preservação de margens.
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