Presidente tenta acelerar fim da taxa das blusinhas, escala 6×1, segurança, minerais críticos e incentivos a data centers na última janela de votações antes do primeiro turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta quarta-feira (26) com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar destravar uma lista de projetos considerados prioritários pelo governo. O encontro ocorre às vésperas do último esforço concentrado do Congresso antes das eleições de outubro, previsto entre 31 de agosto e 4 de setembro.
A pauta inclui a medida provisória que zerou a chamada taxa das blusinhas, o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, o marco dos minerais críticos e o Redata, programa de incentivos a data centers. O Orçamento de 2027 também deve entrar nas conversas. Para o Planalto, a corrida é contra o calendário: com deputados e senadores mobilizados nas campanhas estaduais, a atividade legislativa tende a diminuir nas próximas semanas.
O encontro também consolida uma reaproximação de Lula com a cúpula do Congresso. A relação com Alcolumbre havia ficado estremecida após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF, mas o diálogo foi retomado em agosto. Com Motta, Lula também intensificou as conversas e tem buscado apoio para colocar em votação propostas que podem ser usadas como entregas do governo na campanha.
A prioridade mais urgente é a medida provisória que zerou o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A regra já está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso até 8 de setembro para não perder a validade. O governo tenta evitar a volta da cobrança, transformada por Lula em uma bandeira de apelo direto ao consumidor.
Outra pauta de forte peso eleitoral é a PEC que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, e garante dois dias de descanso a cada cinco trabalhados. O texto já passou pela Câmara e está no Senado. A estratégia é aprová-lo sem alterações para evitar seu retorno aos deputados e acelerar a promulgação.
Também aprovada pela Câmara, a PEC da Segurança Pública amplia a integração entre União, estados e municípios, fortalece o Sistema Único de Segurança Pública e prevê maior compartilhamento de informações entre as forças de segurança. O governo busca avançar com o tema em meio à centralidade da segurança pública na disputa eleitoral.
Na agenda econômica, Lula quer acelerar o marco dos minerais críticos e estratégicos, que envolve insumos essenciais para baterias, semicondutores, defesa e transição energética. O projeto pretende estimular não apenas a extração, mas também o beneficiamento e a industrialização desses recursos no Brasil, em um momento de disputa global por minerais e terras raras.
O governo também tenta destravar o Redata, regime de incentivos tributários para implantação e expansão de data centers no país. A iniciativa busca atrair investimentos ligados à inteligência artificial e à computação em nuvem, exigindo como contrapartida compromissos com sustentabilidade, pesquisa e desenvolvimento.
O Orçamento de 2027 completa a agenda. Mais do que limpar a pauta do Congresso, Lula tenta chegar ao primeiro turno com projetos de forte apelo político já aprovados ou em estágio avançado. Para isso, porém, depende diretamente de Motta e Alcolumbre para transformar as prioridades do Planalto em votações antes que Brasília entre de vez no ritmo das eleições.
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