PATROCINADORES

Construindo reputação: você precisa de protagonismo?

Aluizio Falcão Filho
28 de agosto de 2026

Você está naquele momento em que precisa construir reputação e está considerando estratégias para turbinar o seu protagonismo. Antes de começar qualquer coisa, porém, é preciso perguntar a si mesmo: é o caso de se transformar em um protagonista? Isso depende muito de sua atividade. Há profissões ou ramos de negócios nos quais a discrição é uma mercadoria valiosa. Qualquer profissional que dê asas à vaidade e invista em protagonismo, assim, poderá se prejudicar.

Vamos imaginar o que ocorre no mundo do jornalismo. Articulistas, comentaristas e colunistas têm como missão principal expor suas opiniões (ou aquilo que ouviram de suas fontes). Nestes casos, é esperado que os jornalistas ocupem um lugar de destaque e falem o que pensam. Ou seja, precisam assumir um lugar de evidência.

Ocorre que há momentos nos quais os jornalistas precisam ser coadjuvantes, como o momento de conduzir uma entrevista. A função do profissional de imprensa, nessas horas, é colocar o entrevistado em primeiro plano. Não necessariamente levantar a sua bola, mas destacar a sua importância.

Quando o entrevistador resolve aparecer mais que o entrevistado, porém, a sensação é a de algo está errado. Já vi algumas entrevistas – algumas delas em eventos – nas quais aquele que conduz a conversa quer dar muitas opiniões e claramente está lá para ofuscar o entrevistado.

Outra função que tem um aspecto dúbio em relação ao protagonismo é o exercício do direito. Os advogados precisam ser geralmente discretos, deixando a lei falar por eles. Mas, nos momentos em que seus clientes precisam submergir, eles têm de enfrentar os holofotes. O mesmo ocorre quando um advogado é visto pela sociedade como um jurista. Neste caso, ele é chamado com frequência para dar pareceres e opiniões. Por isso, há advogados que precisam se sentir confortáveis em assumir o protagonismo e dizerem o que pensam.

Com as redes sociais, empresários e CEOs têm de se manifestar com uma frequência razoável. São porta-vozes de seus negócios e precisam se expor. É o que muitos chamam de CEO Branding.

Um dilema semelhante aparece no mercado financeiro. Um gestor de fundos precisa mostrar sua tese de investimento, seus resultados e sua visão de mercado para atrair captação e construir uma marca pessoal reconhecida. Ele também precisa aparecer. Só que, no momento de tratar de uma operação específica com um cliente ou de negociar um ativo, a discrição vira condição de trabalho. Um gestor que fala demais sobre posições em andamento pode prejudicar o próprio resultado e o do investidor, além de comprometer a confiança que sustenta toda a relação.

Esse padrão se repete em quase todas as profissões que dependem de reputação. Existe sempre uma hora de falar e uma hora de escutar, uma hora de estar no centro da cena e uma hora de sustentar outros players. Confundir esses momentos costuma sair caro. O médico que expõe demais um caso clínico para ganhar audiência, o político que aparece em cada assunto do noticiário só para manter relevância, o executivo que posta sobre tudo até perder a credibilidade em qualquer tema específico, todos correm o risco de transformar protagonismo em desgaste.

Assim, antes de pensar em qualquer estratégia de exposição, vale fazer a pergunta inicial deste texto de outra forma: existe alguma vaidade pessoal disfarçada de estratégia de reputação? Construir protagonismo funciona quando isso está conectado a uma função real (informar, representar um cliente, atrair investidores ou falar por uma empresa). Quando o motivo real é apenas a vontade de aparecer, o profissional pode ocupar espaço na hora errada, com um assunto inadequado. No fim, a diferença entre quem constrói reputação de forma sólida e quem a desperdiça raramente está na quantidade de vezes que aparece. Está no bom senso de saber quando aparecer realmente ajuda.

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também