Varejista pretende estrear na Bolsa de Hong Kong em setembro avaliada em US$ 26,8 bilhões, bem abaixo dos quase US$ 100 bilhões de 2022
A Shein pretende levantar até US$ 1,7 bilhão em sua oferta pública inicial de ações (IPO) na Bolsa de Hong Kong, com estreia prevista para 1º de setembro. A varejista planeja oferecer 280 milhões de ações, em uma operação que pode avaliar a companhia em cerca de US$ 26,8 bilhões.
O valor ainda coloca a empresa entre as grandes companhias globais de moda, mas está bem abaixo dos quase US$ 100 bilhões alcançados em 2022, no auge de sua expansão.
A escolha de Hong Kong vem após tentativas frustradas de listar ações em Nova York e Londres, barradas por entraves regulatórios. Em julho, a empresa recebeu autorização das autoridades chinesas para avançar com a operação.
Fundada na China e hoje sediada em Cingapura, a Shein cresceu com um modelo baseado em lançamentos rápidos, preços baixos e uma cadeia de fornecedores altamente integrada. A empresa opera em mais de 150 países e encontrou nas redes sociais um dos principais motores de crescimento entre consumidores jovens.
Em 2025, a companhia faturou US$ 41,8 bilhões, entregou mais de um bilhão de pedidos e registrou lucro líquido de US$ 2,1 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, porém, teve prejuízo de US$ 99 milhões, ante lucro de US$ 395 milhões um ano antes.
Pressão sobre o modelo de baixo custo
O IPO ocorre justamente quando parte das vantagens que sustentaram a expansão da Shein enfrenta maior pressão regulatória.
Nos Estados Unidos, o fim da isenção tarifária para encomendas de baixo valor elevou os custos da companhia. Na Europa, governos também avançam em medidas contra o fast fashion, enquanto a empresa segue sob críticas relacionadas ao impacto ambiental e às condições de sua cadeia produtiva.
A Shein já admite avaliar reajustes de preços para compensar parte desses custos.
Entre os investidores-âncora da oferta estão Boyu Capital, Tiger Global, General Atlantic, Tencent e UBS AM Singapore. Os recursos devem ser direcionados a tecnologia, gestão de estoques, marketing e expansão internacional.
A operação será, portanto, um teste importante para a companhia: mostrar aos investidores que seu modelo ainda consegue crescer em um ambiente de mais impostos, mais fiscalização e custos maiores, sem perder justamente o que a tornou popular — os preços baixos.
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