Elaborado a partir de um prompt de 12 milhões de palavras de resultados corporativos, estudo mostra tom mais conservador de empresas da bolsa de valores e preocupação com inadimplência e juros
Em meio a uma temporada de resultados de grandes emoções e a maior sequência de quedas da bolsa brasileira em três anos, o Itaú BBA decidiu botar a IA para trabalhar. Usando a interface programável do ChatGPT 4.0, da Open AI, o banco de investimentos decidiu avaliar o sentimento de setores e empresas em relação a seus negócios e o futuro das empresas. O chatbot ficou encarregado de processar mais de 12,6 milhões de palavras de balanços e apresentações a investidores, devolvendo pontuações que vão de 0 a 10, do sentimento negativo a positivo nesta ordem.
Segundo o modelo de IA usado pelo Itaú BBA, as empresas da bolsa de valores avaliaram seus resultados com uma nota 7,2, abaixo da média histórica usada pelo banco de 7,5. Considerando somente as apresentações a investidores, o tom foi mais pessimista: a nota de sentimento cai para 6,6. As principais preocupações de CFOs, CEOs e executivos é sobre a alta taxa de juros e os impactos no consumo e crédito. Claro, essa preocupação prevaleceu mais nos setores de varejo e financeiro, excluindo bancos. Aí entram seguradoras, empresas de pagamento, entre outras.
De acordo com o estrategista de renda variável do Itaú BBA, Daniel Gewehr, quanto melhor o sentimento de uma empresa na divulgação de seus resultados, maior a probabilidade de ela revisar seus resultados anuais para cima, num prazo de 90 dias após a divulgação do balanço. O oposto também ocorre: quanto pior a pontuação, maior a chance de uma queda nas previsões para o ano.
“Em média, empresas com uma pontuação abaixo de 7,5 tendem a revisar resultados em até 7,2%. Por outro lado, vemos as ações com uma pontuação de 9 ou mais revisando seus resultados em 9,3%”, diz Gewehr em relatório do Itaú BBA.
A ação que obteve justamente uma pontuação de sentimento de 9 foi a da Petrobras (PETR4), cujo desempenho foi o melhor da temporada de resultados, conforme os critérios da IA. As ações de Guararapes (RIAA3), Grupo SBF (SBFG3), Fleury (FLRY3) e MRV (MRVE3) estão entre que vêm atrás no levantamento, empatadas com uma pontuação de 8,5.
Já nas apresentações dos resultados a investidores, a pontuação cai, segundo o Itaú BBA, porque o quadro executivo da empresa enfrenta perguntas que desviam do roteiro corporativo. O levantamento aponta que o setor de bens de capital, que reúne fabricantes de peças e componentes, foi o que desempenhou melhor durante essas sessões de perguntas e respostas. Por outro lado, os setores de óleo e gás, educação, transporte e bancos deixaram a desejar.
O sentimento médio de ações do Ibovespa foi de 7,4, também abaixo da média. No geral, o tom para o Itaú BBA é de que as companhias de capital aberta estão mais conservadoras, preocupadas com margens e vendas em vez de expansão inorgânica, pelo menos por enquanto.
