A Procuradoria-Geral da República solicitou ao Supremo Tribunal Federal que o inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seja remetido à primeira instância. Conforme a coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, o pedido se baseia no argumento de que não há autoridades com foro privilegiado no caso, o que retiraria a justificativa para sua permanência no STF. A decisão caberá ao ministro André Mendonça, relator dos processos relacionados ao filho do presidente.
Lulinha é suspeito de envolvimento em uma ação de lobby conduzida pela empresária Roberta Luchsinger, que buscava vender ao governo um projeto de canabidiol. Segundo a investigação, ambos seriam sócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Conversas analisadas pela Polícia Federal mostram que Luchsinger dizia atuar em nome de Fábio Luís e chegou a mencionar uma remuneração de 20% no negócio de Cannabis medicinal.
Entre 2023 e 2024, a empresária fez ao menos 40 visitas a ministérios e à Presidência, quase todas sem registro oficial em agendas públicas. Ela também manteve relação próxima com Marco Aurélio Santana, ex-chefe de gabinete de Lula, a quem entregou joias e pagamentos que somaram R$ 249 mil. Após o início das investigações, Santana afirmou ter devolvido os valores.
Nos diálogos em posse da PF, Luchsinger cita ainda o advogado Otto Medeiros, figura influente em Brasília, e menciona suposta ligação dele com o ministro Kassio Nunes Marques, que negou qualquer sociedade e declarou-se impedido em processos em que Medeiros atua no Supremo. As defesas de Lulinha e Luchsinger negam irregularidades e afirmam que não houve crime.
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