O BTG Pactual divulgou relatório detalhando o cenário da eleição presidencial brasileira de 2026, marcada por forte polarização e equilíbrio nas pesquisas. Com a campanha oficial iniciada em 16 de agosto e a propaganda gratuita em rádio e TV prevista para começar em 28 de agosto, o banco destaca que o próximo teste será medir se esses eventos alteram o atual quadro competitivo.
Segundo o BTG, a disputa se concentra entre o presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT, e o senador Flávio Bolsonaro, lançado pelo PL. Lula aparece numericamente à frente em oito das nove pesquisas nacionais divulgadas desde 5 de agosto, mas os levantamentos mais recentes mostram vantagem de apenas três pontos percentuais, dentro da margem de erro. A rejeição elevada de ambos os candidatos segue como um dos principais obstáculos: índices variam entre 48% e 54%, dependendo do instituto.
O relatório ressalta que Flávio Bolsonaro herdou a maior parte do eleitorado de seu pai, consolidando-se como principal nome da oposição, mas ainda precisa ampliar sua base além do núcleo da direita. Lula, por sua vez, conta com a força da máquina de incumbência, maior fidelidade de seus eleitores e vantagem em regiões estratégicas como Minas Gerais, estado que historicamente define o vencedor nacional.
O BTG também observa que candidatos alternativos, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), permanecem com baixa tração no primeiro turno. Embora apresentem rejeição menor que Lula e Bolsonaro, não conseguiram construir uma base sólida de intenções de voto capaz de levá-los ao segundo turno. Na prática, o banco avalia que a eleição segue estruturalmente binária, repetindo a lógica de 2022.
Além das pesquisas, o relatório destaca fatores institucionais que moldam a disputa: financiamento público dominante, com R$ 5 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha; tempo de TV e rádio ainda relevante, mas menos decisivo diante do avanço das redes sociais; e redes políticas locais fortalecidas por emendas parlamentares recordes, que somam R$ 61 bilhões no orçamento de 2026.
Para o BTG, o cenário atual não deve ser lido como previsão estável, mas como evidência de uma corrida altamente competitiva, em que pequenas variações de rejeição, abstenção e capacidade de mobilização podem definir o resultado.
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