Relatório aponta custos de financiamento ainda elevados e vê data centers ligados à IA como oportunidade de investimento na região
As condições de crédito na América Latina devem permanecer desafiadoras e desiguais entre países e setores, segundo relatório da Moody’s divulgado nesta quarta-feira (19). Apesar da desaceleração da inflação nas principais economias e do início dos ciclos de redução de juros por diversos bancos centrais, os custos de financiamento e do serviço da dívida continuam relativamente elevados. O cenário mantém maior pressão sobre tomadores mais vulneráveis, em meio a um crescimento econômico ainda moderado.
Entre os principais fatores de risco estão a polarização política, os ciclos eleitorais, as mudanças regulatórias e a volatilidade das commodities. Segundo a Moody’s, setores mais dependentes de concessões, tributação e decisões governamentais estão particularmente expostos, enquanto a qualidade dos marcos institucionais e jurídicos será importante para reduzir os efeitos de eventuais intervenções. No cenário externo, a volatilidade dos preços de energia aparece como um dos principais canais de transmissão dos riscos geopolíticos para a região.
Os eventos climáticos também devem ganhar peso na avaliação da qualidade de crédito. A intensificação dos efeitos relacionados ao El Niño, pelo menos até o início de 2027, pode afetar geração de energia, logística, mineração e produção agrícola. Secas, enchentes, chuvas intensas e escassez hídrica têm potencial para interromper operações e elevar custos, além de exigir investimentos adicionais em infraestrutura e adaptação.
Na outra ponta, a expansão da inteligência artificial abre uma frente de investimentos em data centers na América Latina. A Moody’s destaca Brasil, México e Chile entre os mercados com potencial para receber novos projetos, impulsionados por financiamento bancário, capital privado e estruturas de project finance. A disponibilidade de energia, o licenciamento e os prazos de implantação, porém, serão determinantes para a viabilidade e o impacto desses investimentos sobre a qualidade de crédito.
O relatório também chama atenção para a gestão de liquidez e a governança corporativa. Política financeira, transparência, concentração acionária, alocação de capital e eventual interferência governamental na gestão das companhias podem ampliar riscos existentes e aumentar a volatilidade dos perfis de crédito, reforçando um ambiente mais seletivo para empresas que buscam financiamento na região.
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