O Grupo Casas Bahia anunciou em fato relevante que ingressou com pedido de recuperação judicial, iniciando uma nova etapa de reorganização financeira e operacional. A medida envolve cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas com bancos, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e obrigações trabalhistas.
“Nos últimos anos, fizemos um trabalho importante de transformação da companhia. Reduzimos de forma relevante o endividamento financeiro, melhoramos nossa estrutura de capital, avançamos em eficiência e fortalecemos a geração de caixa. Mas precisamos reconhecer que essa evolução, embora crucial, não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado. A realidade mudou e, junto ao nosso Conselho de Administração, tomamos decisões para adequar a Companhia a essa nova realidade”, afirma Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia.
Nos últimos trimestres, a empresa reduziu sua dívida líquida e a alavancagem financeira, acumulando nove trimestres consecutivos de evolução da margem EBITDA ajustada. No segundo trimestre de 2026, a alavancagem chegou a 0,5 vez o EBITDA ajustado, ante 2,2 vezes um ano antes, enquanto o fluxo de caixa livre somou R$ 800 milhões, contra R$ 173 milhões no mesmo período de 2025. Segundo Franklin, o plano previa aporte de capital via equity ou novas linhas de crédito, mas a deterioração do cenário global inviabilizou as negociações.
“A recuperação judicial faz parte de uma reorganização do passivo da empresa de forma mais ampla, que precisa dar à Companhia condições de ajustar suas obrigações e, ao mesmo tempo, continuar executando as medidas operacionais da Fase 2 do Plano de Transformação que já estão em andamento”, explica o executivo.
A Fase 2 do plano prevê uma companhia menor e mais focada em geração de caixa. As primeiras medidas foram o fechamento de 298 lojas com baixo desempenho e a redução estrutural de custos e despesas. Agora, a empresa planeja revisar canais digitais, adequar estoques e capital de giro, reduzir investimentos e buscar alternativas para diminuir o custo financeiro. Nos canais digitais, a prioridade passa a ser margem e retorno sobre o capital empregado, em vez de crescimento de volumes sem retorno econômico adequado.
O pedido de recuperação judicial não interrompe as operações da companhia, que seguirá atendendo clientes em seus canais físicos e digitais e trabalhando com fornecedores dentro das condições estabelecidas pelo processo de reorganização.
“A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa. Isso significa preservar as operações com maior capacidade econômica, adequar custos e investimentos ao novo nível de atividade, melhorar o giro de estoques e reduzir a necessidade de capital empregado”, completa Franklin.
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