Fabricante testa componentes da chinesa CXMT em meio à escassez provocada pela corrida da IA, num movimento que pode aumentar a tensão com Washington
A Apple começou a testar chips de memória produzidos pela chinesa CXMT para algumas linhas de iPhones e MacBooks vendidos na China. A movimentação ocorre enquanto a demanda por componentes cresce com a expansão da inteligência artificial e pressiona preços e disponibilidade no mercado global.
Segundo o The Wall Street Journal, a empresa abriu conversas com a fabricante chinesa como forma de diversificar fornecedores e reduzir parte da pressão sobre custos. A decisão, porém, acontece em um momento de forte tensão entre Washington e Pequim e pode desagradar o governo de Donald Trump, que vem endurecendo as restrições tecnológicas contra empresas chinesas.
O movimento coloca a Apple em uma posição delicada. Os Estados Unidos mantêm limites à transferência de tecnologia para companhias chinesas do setor de semicondutores, o que restringe o tipo de colaboração possível entre as duas empresas.
Na prática, a Apple pode adquirir componentes prontos da CXMT e negociar preços, mas não pode compartilhar determinadas especificações técnicas para desenvolver chips personalizados. Fabricantes como HP e Acer já utilizam memórias da empresa chinesa em equipamentos vendidos fora dos Estados Unidos.
A aproximação ocorre justamente quando a Apple enfrenta custos maiores com componentes. O avanço dos investimentos em IA aumentou a procura por memórias e reduziu a oferta disponível para outros produtos eletrônicos.
Para a companhia, recorrer a fornecedores chineses pode ajudar a equilibrar custos e garantir abastecimento. Politicamente, porém, a escolha expõe o grau de dependência das grandes empresas de tecnologia de uma cadeia produtiva atravessada pela disputa entre China e Estados Unidos — e coloca a Apple novamente no meio dessa queda de braço.
Gostou do conteúdo? Inscreva-se e receba a newsletter de MONEY REPORT
