Soube nesta semana que um colega de trabalho vai ser pai. Dei os parabéns de praxe, mas me senti na obrigação de dizer algumas palavras para ele. Ocorre que estava atrasado e não tive tempo para falar o que pensava. Então, vou conversar com ele por aqui mesmo.
Caro Rodrigo Dias,
Ser pai é algo maravilhoso. É emocionante perceber que seus filhos carregam uma parte de você nos traços do rosto, no jeito de falar e de andar ou no comportamento. Assim como ensinar aqueles seres pequenos a entender a vida é algo que não tem preço.
Ao mesmo tempo, a paternidade é um eterno exercício de aprendizado. E quase sempre você é reprovado. Quando parece que finalmente aprendemos as lições, nossos filhos crescem e a vida deles muda de fase. Tudo o que conseguimos entender antes passa a ter pouca valia.
Essa mudança de fase é mais chocante quando chega a adolescência. A doçura vira rebeldia; a dependência vira autonomia; e o respeito pelas suas ideias se transforma em desprezo pelas suas opiniões.
Mas do mesmo jeito que a adolescência surge de uma hora para outra, vai embora repentinamente. Aqueles teenagers viram adultos quase que instantaneamente. E, nessa hora, temos que nos apressar para entender o que se passa na cabeça deles.
No fundo, temos de entender que na infância, controlávamos a vida dos filhos. Na adolescência, com sorte, poderíamos influenciar. Na vida adulta, no entanto, somos apenas espectadores. Com a esperança de que ensinamos alguma coisa quando foi o momento para isso.
Talvez essa seja a lição mais dura da paternidade: a de que ela é uma função que se dissolve quando temos sucesso. Um pai que faz bem o próprio trabalho torna-se progressivamente desnecessário e a prova de que deu certo é justamente a hora em que os filhos deixam de precisar dele. Nenhuma outra relação humana funciona assim. Na amizade e no casamento, a dependência mútua costuma ser o sinal de que a coisa vai bem. Já na paternidade, a dependência prolongada é sintoma de que algo falhou.
Ao mesmo tempo, algumas das lições mais importantes que damos aos pequenos são dadas sem que uma palavra seja dita. Como você trata um garçom, se cumpre a palavra dada a alguém ou se admite um erro sem pestanejar. Filhos não são bons ouvintes e, por outro lado, se mostram observadores implacáveis. Eles não absorvem necessariamente o que dizemos sobre a vida. Mas mantêm um registro rigoroso daquilo que fazemos com ela.
Então, a você que vai ser pai, fica um único conselho prático em meio a tanta filosofia: tempo é o único recurso valioso nessa história e o único que não se recupera depois. Aproveite todas as etapas dessa criança que vai nascer. As reuniões que você perder serão remarcadas, os projetos que atrasarem vão ser entregues e as promoções que não se concretizarem virão em outro momento. Mas a fase de vida em que sua criança quer sua companhia mais do que tudo dura pouco mais de uma década. E não volta jamais. Quase todo pai que conheço se arrepende exatamente da mesma coisa: não ter reservado tempo suficiente para estar com seus filhos. Não faça parte deste clube.
Um grande abraço e parabéns,
Aluizio Falcão Filho
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