Em palestra no Summit Mulheres nas Profissões, empresária e influenciadora falou sobre construção de reputação, licenciamentos e o desafio das mulheres de reconhecer o próprio valor no mercado
Cinco anos depois de deixar o Big Brother Brasil como um dos maiores fenômenos de popularidade do programa, Juliette Freire afirma que sua permanência no mercado não foi resultado apenas da exposição televisiva. Segundo ela, a combinação entre reputação, identificação com o público e coerência nas escolhas comerciais permitiu transformar a visibilidade em uma marca pessoal com valor econômico.
Durante o painel “Elas Fazem Acontecer”, realizado nesta terça-feira (4), no Summit Mulheres nas Profissões, Juliette relembrou a trajetória que começou em uma comunidade de Campina Grande, na Paraíba, passou pelo trabalho em salão de beleza, pela graduação em Direito e chegou à publicidade, à música e ao licenciamento de produtos.
“Eu não precisei mudar quem eu era, copiar ninguém ou fazer coisas que manchariam a minha trajetória. Eu simplesmente contei a verdade sobre o que existe em mim, e o público sabe disso”, afirmou.
Desde sua saída do reality show, Juliette trabalhou com mais de 50 marcas, segundo relatou no evento. A influenciadora disse que procura associar sua imagem a empresas e produtos que tenham conexão com sua história e possam preservar a confiança construída com seus seguidores.
Um dos exemplos apresentados foi a parceria de licenciamento com a Mondial para uma linha de secadores. Juliette contou que participou do desenvolvimento dos produtos, levando à empresa experiências acumuladas desde a infância, quando trabalhava no salão da mãe.
A linha passou a considerar características como menor peso, cabos mais longos e maior potência. Segundo ela, as decisões foram influenciadas pelas dificuldades enfrentadas durante os anos de trabalho como cabeleireira e maquiadora.
“Esses produtos materializavam a minha história”, disse. “Eu via em cada um deles a Juliette criança, mas também a Juliette profissional.”
A declaração ajuda a explicar uma estratégia cada vez mais adotada na chamada economia dos criadores: transformar alcance digital em negócios que ultrapassem campanhas publicitárias pontuais. Nesse modelo, personalidades deixam de atuar apenas como divulgadoras e passam a participar da concepção, do posicionamento e da comercialização de produtos.
Confiança como ativo
Juliette destacou que a credibilidade construída junto ao público se tornou um dos principais ativos de sua carreira. Comentários de consumidores sobre os produtos indicados por ela foram apresentados durante a palestra como evidência dessa relação.
A influenciadora também mencionou trabalhos publicitários, palestras, reconhecimentos e participações em eventos internacionais como etapas da consolidação de sua imagem após o programa. Para ela, no entanto, o sucesso comercial depende da manutenção de uma identidade reconhecível.
A palestra também abordou as barreiras enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho, especialmente a dificuldade de reconhecer as próprias conquistas. Juliette relacionou esse comportamento à síndrome da impostora e à diferença na educação de meninas e meninos.
“Enquanto as meninas escutam ‘seja gentil, evite conflito’, os meninos escutam ‘seja corajoso, seja forte’. Quando a mulher chega a determinados espaços, ainda questiona se aquele lugar realmente pertence a ela”, afirmou.
Ela citou ainda que as mulheres são maioria nas universidades, mas ocupam uma parcela menor dos cargos de liderança e acumulam jornadas de trabalho superiores às dos homens por causa das responsabilidades domésticas. Os números foram mencionados durante o painel, sem indicação das fontes utilizadas.
Da audiência ao negócio
Ao falar sobre sua entrada no Big Brother Brasil, Juliette afirmou que não buscava inicialmente a fama, mas uma oportunidade financeira para mudar a realidade da família. Antes do programa, já era formada em Direito, havia estagiado em órgãos públicos e trabalhado como maquiadora.
A passagem pela televisão ampliou sua audiência, mas também colocou sua capacidade sob constante questionamento. Para Juliette, a experiência mostrou que visibilidade sozinha não garante uma carreira duradoura.
“Quando você chega lá, ainda vão duvidar”, afirmou. “A minha vida não acabou quando eu venci. Ela começou.”
Ao transformar elementos de sua trajetória em narrativa, reputação e produtos, Juliette construiu uma operação que se aproxima mais de uma marca empresarial do que de uma carreira baseada apenas em influência digital. E essa talvez seja a principal mensagem econômica de sua participação no Summit: na economia da atenção, alcance abre portas, mas confiança, coerência e produto são o que mantêm o negócio de pé.
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