Em entrevista à Bloomberg Línea, João Adibe, CEO da Cimed, detalhou os planos da farmacêutica brasileira para disputar espaço com gigantes globais do consumo, como Unilever e P&G. A meta é alcançar R$ 10 bilhões em faturamento até 2030, ampliando a presença em categorias que vão de gel dental a suplementos e desodorantes.
A companhia, que nasceu há 49 anos com apenas 12 produtos e hoje soma mais de 600, pretende equilibrar o portfólio entre medicamentos e bens de consumo. Atualmente, 70% da receita vem de remédios, mas Adibe quer chegar a uma divisão de 50/50. Para isso, aposta em lançamentos que atendam diferentes faixas de preço e públicos, como desodorantes em versões aerossol, roll-on e creme.
O executivo reconhece, porém, que o cenário macroeconômico impõe limites. Com a operação já no limite de capacidade, a Selic elevada inviabiliza novos investimentos em fábricas. Além disso, 90% do custo de matéria-prima é dolarizado, o que pressiona margens. A Fitch Ratings recentemente rebaixou a nota da Cimed, citando maior risco de crédito, mas Adibe afirma que o endividamento está equacionado e que os resultados auditados mostram desempenho superior ao de 2025.
Na frente de distribuição, a empresa opera com 26 centros espalhados pelo país, modelo que, segundo Adibe, garante maior rentabilidade ao varejo. Em marketing, a Cimed reforça a presença em grandes eventos: patrocinou pela terceira vez a Copa do Mundo da Fifa e prepara a campanha “Semanão de ofertas”, com promoções nos dez primeiros dias de cada mês.
O plano de expansão conta ainda com o apoio do Fundo Soberano de Cingapura (GIC), que adquiriu 11% da companhia. Adibe descarta, por ora, abertura de capital ou novas aquisições, mas mantém a estratégia de crescimento orgânico e aposta em inovação para conquistar participação em um setor dominado por multinacionais.
Para o CEO, o desafio é criar hábitos de consumo em um país onde “20 milhões vivem e 180 milhões sobrevivem”. A resposta da Cimed é oferecer produtos acessíveis e diferenciados, capazes de competir com os líderes globais e atender toda a pirâmide social.
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