BTG Pactual reconhece mérito na estratégia da Ambev (ABEV3) para diversificar receita em meio à queda do consumo de cerveja, mas produto não fará milagre sozinho
O lançamento de uma cerveja proteica e com foco em bem-estar não vai definir o sucesso da Ambev (ABEV3) no curto prazo, diz o BTG Pactual em relatório. A Spaten Pro e seus 10 gramas de proteína representam mais uma renovação de portfólio que pode trazer diversificação de receita por hectolitro no longo prazo, permitindo com que a gigante de bebidas alcóolicas gere um faturamento maior mantendo o atual volume distribuído, em meio a um mercado de cervejas que só encolhe no mundo.
Em países desenvolvidos, o consumo de cerveja vêm declinando. Na Europa, por exemplo, território da Heineken — é a principal concorrente da brasileira —, o consumo de cerveja recuou 3,2% em 2025, enquanto a produção de cerveja caiu 2,9%. Por trás do declínio da demanda estão as gerações mais jovens e sua preferência por aproveitar drinks com algum suplemento saudável.
Ninguém passa ileso por essa ressaca no mercado de cervejas. Mas o BTG vê mérito na tentativa da Ambev de ramificar sua fonte de receita para adentrar no wellness. “A plataforma de inovação da Ambev dá à companhia escala para continuar inovando”, diz a equipe de analistas do banco de investimentos, liderada por Thiago Duarte. “É improvável que um único produto faça diferença sozinho. Ao longo do tempo, o efeito cumulativo de expandir o portfólio de forma consistente pode fazer”, completam os analistas. É essa estratégia que fará diferença no longo prazo, segundo o banco.
Uma dos grandes méritos que o BTG enxerga na Ambev (ABEV3) é captar as principais tendências de consumidores mais jovens por meio da plataforma Zé Delivery, com 20 milhões de usuários. Além disso, no evento em que revelou a Spaten Pro, a Ambev disse que mantém contato com 80 milhões de clientes no total para estruturar projetos de longo prazo.
“Em última análise, acreditamos que isso tem permitido à Ambev acender uma recuperação de participação de valor ao longo dos últimos trimestres, depois de ter construído um portfólio que a concorrência atualmente não consegue igualar.”
A visão construtiva da marca leva o BTG a recomendar a compra da ação da Ambev (ABEV3), com preço-alvo de R$ 20, com um potencial de alta de quase 22% frente ao preço de tela do papel.
