Grupo de acionistas contratou a BR Partners para avaliar uma saída da marca do portfólio da companhia
A disputa societária dentro da Azzas 2154, dona de marcas como Arezzo, Schutz, Farm e Hering, ganhou um novo capítulo. A família Hering estaria se movimentando para recomprar a marca fundada em Blumenau, hoje parte do portfólio do grupo formado pela fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma.
Segundo informações do Pipeline, do Valor Econômico, um grupo de acionistas que reúne cerca de 11% do capital da Azzas, liderado pela família Hering, contratou a BR Partners para conduzir conversas sobre uma possível emancipação da marca. A alternativa em análise seria a compra da Hering ou uma participação maior no negócio caso a Azzas avance em uma eventual cisão.
Procurada pelo Money Times, a Azzas 2154 afirmou que não comenta especulações de mercado e disse que a Hering não está à venda.
A movimentação ocorre em meio ao desgaste entre os principais executivos da companhia. Desde a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, concluída em 2024, o mercado acompanha ruídos sobre diferenças de gestão, autonomia das marcas e dificuldades de integração entre os negócios.
A Hering foi comprada pelo Grupo Soma em 2021, em uma operação avaliada em R$ 5,1 bilhões. Na época, a Arezzo&Co também havia demonstrado interesse pela marca. Com a fusão entre Soma e Arezzo, a Hering passou a fazer parte da Azzas 2154.
O desempenho da marca, porém, tem sido um dos pontos sensíveis do grupo. No primeiro trimestre, a unidade Basic, ligada à Hering, registrou queda de 18,5% na receita, para R$ 502,3 milhões. A companhia atribuiu o resultado ao processo de reestruturação da operação, com foco na normalização dos estoques e na redução de vendas menos rentáveis.
No consolidado, a Azzas 2154 reportou lucro líquido recorrente de R$ 63,9 milhões no trimestre, queda de 45,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida somou R$ 2,48 bilhões, recuo de 8%, enquanto o Ebitda recorrente caiu 23,2%, para R$ 328,5 milhões.
A crise interna ficou mais evidente em maio, quando a companhia divulgou disputas envolvendo Roberto Jatahy, do Grupo Soma, e Alexandre Birman, da Arezzo. Jatahy entrou na Justiça para manter a estrutura organizacional anterior a mudanças internas feitas em abril, além de preservar seu cargo como Chief Brand Officer e sua responsabilidade sobre unidades de vestuário feminino e masculino.
A liminar foi concedida em primeira instância e mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Além da disputa judicial, Jatahy também protocolou um pedido de arbitragem na Câmara de Arbitragem do Mercado.
