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O jardim que quer devolver biodiversidade ao centro da cidade

Lorena Scavone Giron
20 de junho de 2026
Com mais de 3 mil plantas nativas, projeto de Maria Fernanda Marques transforma a fachada da CASACOR em uma reflexão sobre biodiversidade, bem-estar e a valorização dos saberes brasileiros

Logo na entrada da CASACOR São Paulo 2026, os visitantes são recebidos por um convite à desaceleração. Assinado pela paisagista Maria Fernanda Marques, o jardim “Da Terra ao Solo” ocupa a maior área da mostra e transforma a fachada do evento em um manifesto sobre biodiversidade, cultura brasileira e a relação entre o ser humano e a natureza.

O espaço reúne mais de 3 mil plantas de 70 espécies diferentes, das quais 99% são nativas. A proposta vai além da composição paisagística tradicional e busca mostrar como áreas degradadas podem ser transformadas em ecossistemas vivos e equilibrados.


“Ocupar a maior e mais visível área da mostra não é acaso: é dar à natureza e a quem a cultiva o lugar de destaque que elas merecem”, afirma Maria Fernanda.

Inspirado no tema “Mente e Coração”, da edição de 2026, o projeto explora os benefícios do contato com o verde para o bem-estar físico e emocional. Caminhos sinuosos, vegetação abundante e elementos naturais foram pensados para desacelerar o ritmo dos visitantes e estimular uma experiência mais sensorial.

Além das espécies vegetais, o jardim reúne obras de artistas e artesãos de diferentes regiões do país. Casas para abelhas nativas sem ferrão, hotéis de insetos, vasos produzidos por cooperativas femininas do Nordeste, luminárias de capim dourado e móveis feitos com madeira de manejo sustentável reforçam a valorização dos saberes brasileiros.


A proposta também chama atenção para o papel dos polinizadores e da biodiversidade urbana. Segundo a paisagista, pouco tempo após a implantação do projeto, o espaço passou a receber visitas frequentes de pássaros, abelhas, insetos e saguis, um sinal de que o ambiente voltou a oferecer condições favoráveis para diferentes espécies.

Ao final do percurso, o visitante encontra o Escritório do Paisagista, ambiente que reúne livros, desenhos e projetos que ajudam a contar a trajetória de mais de duas décadas de atuação de Maria Fernanda Marques. A ideia é mostrar que todo jardim começa muito antes do plantio — nasce da observação, do cuidado e da compreensão das relações entre solo, plantas e pessoas.

Mais do que um espaço expositivo, “Da Terra ao Solo” propõe uma reflexão sobre como cidades, natureza e cultura podem coexistir de forma mais integrada.

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