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O álbum de viagens de Ciro Nogueira

Lorena Scavone Giron
20 de junho de 2026

A Imagem da Semana vem do relatório da Polícia Federal que colocou sob holofotes a relação entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. As fotos reunidas pela investigação mostram os dois em viagens internacionais, incluindo registros em Courchevel, nos Alpes franceses, e no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, nos Estados Unidos.

As imagens, por si só, poderiam ser apenas registros de convivência entre um político influente e um empresário do mercado financeiro. Mas, dentro de um relatório policial, ganham outro peso. Segundo a PF, Vorcaro teria garantido vantagens econômicas ao senador por meio de hospedagens, refeições e deslocamentos custeados em viagens ao exterior. A corporação calcula que os benefícios somariam ao menos R$ 468,7 mil.


Entre os gastos citados pela investigação estão uma refeição no restaurante Gigi, em Paris, no valor equivalente a R$ 10,1 mil; seis diárias no Park Hyatt New York, que somaram R$ 245 mil; cinco noites em uma suíte júnior no Four Seasons, em Lisboa, por R$ 91,2 mil; e despesas em restaurantes de Courchevel que chegaram a R$ 122 mil em dois dias.

A PF afirma que a relação entre Ciro e Vorcaro ia além da amizade pessoal. Em outro trecho do relatório, a corporação diz ter identificado uma “convergência de interesses ilícitos” entre os dois. Segundo o documento, Vorcaro teria enviado textos de propostas legislativas ao gabinete do senador, incluindo temas relacionados ao Fundo Garantidor de Créditos, ao mercado de carbono e à transição energética.

É nesse ponto que a fotografia deixa de ser apenas uma lembrança de viagem. O que aparece nas imagens não é só a proximidade entre dois personagens públicos, mas a interseção entre poder político, dinheiro privado e interesses regulatórios. O cenário muda, mas o roteiro é conhecido: restaurantes caros, hotéis de luxo, aeroportos internacionais e uma pergunta que sempre volta quando empresários e políticos aparecem juntos demais: onde termina a relação pessoal e começa o interesse público?

A defesa de Ciro Nogueira afirmou que não se manifestaria sobre o caso neste momento, mas disse que fará “todos os esclarecimentos técnicos” nos autos para rebater o que classificou como “descabidas insinuações policiais”. Até aqui, portanto, o caso está no campo das suspeitas levantadas pela investigação, sem condenação.

Ainda assim, a força da imagem está no incômodo que ela provoca. Quando a PF leva registros de Courchevel e Fort Lauderdale para um relatório sobre supostos benefícios econômicos e influência legislativa, uma foto de viagem deixa o álbum privado e passa a compor uma narrativa sobre acesso, influência e poder.

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