Estreia da empresa espacial na Nasdaq impulsiona fortuna do bilionário, dono da Tesla, X, Starlink e outros negócios de tecnologia
Elon Musk se tornou nesta sexta-feira (12) o primeiro trilionário da história da humanidade. O marco foi alcançado após a estreia da SpaceX na Nasdaq, principal bolsa de tecnologia dos Estados Unidos, onde estão listadas empresas como Apple, Google e Microsoft.
A companhia espacial chegou ao mercado com ações precificadas a US$ 135 no IPO, a oferta pública inicial de ações. A estreia elevou o valor de mercado da SpaceX e impulsionou a fortuna de Musk, que já ocupava o topo da lista de pessoas mais ricas do mundo da Forbes antes mesmo de atingir a marca inédita.
Fundada por Musk em 2002, a SpaceX nasceu com o objetivo de reduzir custos no setor aeroespacial por meio do desenvolvimento de foguetes reutilizáveis. Desde então, a empresa ampliou sua atuação para transporte espacial, lançamento de satélites, turismo orbital e internet via satélite, por meio da Starlink.
Para especialistas, a valorização da SpaceX reflete não apenas o interesse do mercado pela exploração espacial, mas também o crescimento da Starlink, que se tornou um negócio global de conectividade. “Ele criou uma ‘superempresa’ de telecomunicações. Só a Starlink acabou se tornando um negócio global que hoje é maior do que a própria operação espacial em termos de faturamento”, afirma Pedro Waengertner, CEO da ACE Ventures.
Da SpaceX à Starlink
A SpaceX se consolidou como uma das empresas mais relevantes da nova economia espacial. O primeiro lançamento de um foguete da companhia ocorreu em 2008. Anos depois, a empresa passou a transportar satélites, cargas e astronautas, além de avançar em projetos ligados ao turismo espacial e à futura colonização de Marte.
Um dos principais ativos da companhia é a Starlink, braço voltado ao fornecimento de internet via satélite. A operação disputa o mercado global de conectividade em áreas remotas e já atua em diversos países, incluindo o Brasil. A rede de satélites da empresa colocou a SpaceX em um segmento que vai além da indústria aeroespacial tradicional e aproxima a companhia do setor de telecomunicações.
A expansão da Starlink foi decisiva para a leitura de investidores sobre o potencial da SpaceX. O negócio combina infraestrutura espacial, serviços digitais e base global de clientes, uma mistura rara mesmo entre grandes empresas de tecnologia.
Um império de tecnologia
Além da SpaceX, Musk comanda ou controla empresas em diferentes setores. Na Tesla, fabricante de carros elétricos da qual é presidente-executivo e maior acionista, tornou-se uma das figuras centrais da transição para veículos movidos a energia limpa. A companhia também atua em baterias, energia solar e soluções de armazenamento.
Musk também é dono do X, antigo Twitter, comprado em 2022 por US$ 44 bilhões após meses de negociação e disputas públicas. A aquisição deu ao empresário o controle de uma das principais plataformas de debate político, econômico e cultural do mundo, embora a gestão da rede tenha sido marcada por mudanças bruscas, demissões e controvérsias.
No campo da inteligência artificial, o bilionário criou a xAI, empresa que passou a fazer parte da estrutura da SpaceX após uma operação anunciada neste ano. Musk também foi um dos fundadores da OpenAI, mas deixou a companhia em 2018 e se tornou um crítico da empresa depois da popularização do ChatGPT.
Entre seus outros negócios estão a Neuralink, startup de neurociência que desenvolve chips cerebrais, e a The Boring Company, voltada à construção de túneis e sistemas de transporte de alta velocidade.
Trajetória marcada por apostas ousadas
Nascido em Pretória, na África do Sul, em 1971, Musk se mudou para o Canadá antes de completar 18 anos e depois foi para os Estados Unidos, onde se formou em física e economia pela Universidade da Pensilvânia. Antes de se tornar conhecido pela Tesla e pela SpaceX, criou a Zip2, empresa vendida à Compaq em 1999, e participou da criação do PayPal, vendido ao eBay em 2002 por US$ 1,5 bilhão em ações.
A primeira aparição de Musk no ranking de bilionários da Forbes ocorreu em 2012, quando sua fortuna era estimada em US$ 2 bilhões. Uma década depois, em 2022, ele já somava US$ 219 bilhões e ocupava pela primeira vez o topo da lista dos mais ricos do mundo.
A chegada ao patamar de trilionário consolida uma trajetória construída sobre setores de alto risco e grande potencial de escala: carros elétricos, foguetes reutilizáveis, internet via satélite, inteligência artificial e interfaces cérebro-computador.
Bilionário de influência e polêmicas
A ascensão de Musk também foi acompanhada por uma presença pública intensa e frequentemente controversa. Usuário ativo do X, o empresário costuma fazer publicações capazes de movimentar ações, criptomoedas e debates políticos. Ele já foi punido por autoridades dos Estados Unidos por declarações envolvendo a Tesla e acumulou embates com governos, reguladores, concorrentes e usuários da própria rede social que comprou.
Mesmo assim, sua influência permanece ligada à capacidade de transformar projetos considerados improváveis em negócios de grande escala. A estreia da SpaceX na bolsa reforça esse perfil: mais do que uma empresa de foguetes, a companhia passou a ser vista pelo mercado como uma plataforma de infraestrutura espacial, conectividade global e tecnologia de fronteira.
