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BTG destrincha cenário que vai exigir Selic elevada por mais tempo

Lucas Andrade
9 de junho de 2026
Banco também indica fatores que podem permitir a queda mais rápida dos juros ao longo de 2027

O BTG Pactual revisou seu cenário macroeconômico e concluiu que a taxa Selic deverá permanecer elevada por mais tempo do que se imaginava no início do ano. O relatório, assinado por Mansueto Almeida (economista-chefe/imagem) e Samuel Pessôa (pesquisador macro), aponta que a combinação de choques externos e forte impulso fiscal doméstico mudou completamente a trajetória esperada para inflação e política monetária.

No front internacional, a guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz dispararam os preços de petróleo, fertilizantes e energia, elevando a inflação global e reduzindo o espaço para cortes de juros em várias economias.

Já no Brasil, a surpresa veio da atividade: mesmo com Selic em 14,5% ao ano, o PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre, sustentado por gastos públicos em alta e expansão de crédito subsidiado. Programas de habitação, renovação de frota e financiamento para motoristas de aplicativos impulsionaram a demanda, neutralizando parte do efeito contracionista dos juros.

Esse movimento ocorre em um ambiente de pleno emprego e alta utilização da capacidade produtiva, o que intensifica pressões inflacionárias. O BTG elevou sua projeção de inflação para 2026 de 4,1% para 5,3%, enquanto o crescimento esperado passou de 1,9% para 2,0%. A revisão reflete tanto o choque externo quanto a demanda doméstica aquecida, além de fatores climáticos ligados ao El Niño.

O diagnóstico é que a política monetária perdeu potência diante da expansão fiscal e parafiscal. Em linha com o cenário global de juros persistentemente altos, o banco avalia que não há espaço para um ciclo mais intenso de flexibilização no Brasil. A expectativa é de apenas um corte adicional de 25 pontos-base, com a Selic estabilizada em 14,25% até o fim de 2026.

Fatores que podem acelerar queda da Selic em 2027

Na sequência, o relatório do BTG Pactual destaca que, para 2027, a expectativa é de retomada gradual da flexibilização monetária, com a Selic encerrando o ano em 12,50% e inflação em 4,5%.

Essa trajetória, porém, depende da estabilização das expectativas e da manutenção da credibilidade do Banco Central. O custo de juros elevados por mais tempo será um crescimento mais fraco, projetado em apenas 1,1%, o menor desde a pandemia.

Segundo Mansueto Almeida e Samuel Pessôa, no documento, uma queda mais rápida da Selic só seria possível com ajuste fiscal mais consistente. Isso inclui desaceleração das despesas primárias e reversão das operações quase fiscais, medidas que aumentariam a efetividade da política monetária e reduziriam pressões inflacionárias.

Sem esse movimento, o ambiente de crédito tende a se deteriorar, com famílias mais endividadas e empresas enfrentando restrições financeiras, além de um quadro fiscal pressionado pelo déficit nominal e pela trajetória da dívida pública.

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