Sócio e CIO da Ghia Multi Family Office defende que disciplina vale mais do que previsão na estratégia de dolarização do patrimônio
Bruno Nunes de Paula, sócio e CIO da Ghia Multi Family Office, avalia que a verdadeira proteção patrimonial não está em prever movimentos de mercado, mas em manter disciplina na estratégia de alocação. Ele alerta que muitos investidores confundem diversificação com simples dispersão de recursos, quando na prática trata-se de pesquisa, análise e rebalanceamento contínuo do portfólio.
O executivo destaca que o fortalecimento recente do real frente ao dólar não deve ser interpretado como oportunidade para apostar no câmbio. A exposição a moedas fortes, como o dólar, deve ser definida de forma estrutural e mantida com consistência, independentemente do momento. Esperar o “melhor timing” para dolarizar ativos é, segundo ele, um erro recorrente que pode comprometer retornos no longo prazo.
Outro ponto crítico é a tentação do market timing. A ilusão de acertar o momento exato de entrada ou saída em ativos já levou investidores a perder dinheiro até mesmo em fundos historicamente vencedores, como o Magellan Fund de Peter Lynch. O problema não está nos ativos, mas no comportamento do investidor, que muitas vezes reage de forma impulsiva às oscilações do mercado.
O CIO da Ghia Multi Family Office ressalta ainda que a iliquidez pode ser uma aliada na preservação da riqueza. Manter entre 5% e 10% do patrimônio em ativos com restrição de resgate ajuda a conter decisões precipitadas e protege contra o maior risco de todos: o impulso pessoal.
“Navegar pela incerteza não se resume a reagir em cada novo evento ou buscar os ativos mais atrativos do momento. Proteger patrimônio exige método, disciplina e consistência no longo prazo. É, sobretudo, entender que diversificar não é espalhar dinheiro.”
