Negócio com grupo suíço Mercuria faz parte do plano de reestruturação da companhia, que busca reforçar o caixa e simplificar o portfólio
A Raízen anunciou nesta quinta-feira (4) a venda de suas operações de distribuição e comercialização de combustíveis na Argentina por US$ 1,42 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 7,2 bilhões. O comprador é a Mercuria, grupo suíço especializado em energia e commodities, por meio das empresas Latam Downstream Holdings e Silver Projects I.
Segundo fato relevante divulgado ao mercado, a transação inclui o pagamento em dinheiro no fechamento da operação e a transferência das dívidas vinculadas aos ativos argentinos para os novos controladores.
O negócio envolve as atividades de downstream da companhia no país vizinho, segmento que abrange distribuição, logística e comercialização de combustíveis.
De acordo com a Raízen, os recursos obtidos serão utilizados para fortalecer a estrutura de capital e acelerar o processo de redução do endividamento.
“A assinatura deste acordo representa mais um importante passo na execução da estratégia de simplificação do portfólio, ao mesmo tempo em que fortalece nossa estrutura de capital e aumenta a flexibilidade financeira”, afirmou o CEO da companhia, Nelson Gomes.
A conclusão da operação ainda depende de aprovações regulatórias e judiciais.
Venda faz parte de reestruturação
A negociação ocorre em meio ao amplo processo de reestruturação iniciado pela companhia no fim de 2024. A estratégia inclui venda de ativos, redução da alavancagem financeira e revisão do portfólio de negócios.
Nos últimos anos, a Raízen enfrentou desafios que pressionaram sua operação, incluindo a desaceleração dos investimentos ligados à agenda ESG, a expansão do etanol de milho e um cenário menos favorável para os preços de açúcar e combustíveis renováveis.
A empresa também passou por uma mudança na liderança, com a chegada de Nelson Gomes ao comando da companhia.
Até fevereiro de 2026, a Raízen já havia levantado cerca de US$ 5 bilhões com desinvestimentos, incluindo a venda de usinas e outros ativos.
Dívida e prejuízo pressionam companhia
O processo de reorganização ganhou força após a deterioração dos indicadores financeiros da empresa.
No terceiro trimestre da safra 2025/26, a Raízen registrou prejuízo de R$ 15,65 bilhões. No mesmo período, a dívida líquida avançou de R$ 38,6 bilhões para R$ 55,3 bilhões, enquanto a alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda passou de 3 vezes para 5,3 vezes.
Em março deste ano, a companhia protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para suspender por 90 dias o pagamento de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.
A crise também levou à exclusão da empresa do Ibovespa e de outros índices da Bolsa brasileira.
A venda da operação argentina é vista pelo mercado como mais um passo da companhia para reforçar o caixa e recuperar a confiança dos investidores em meio ao processo de reestruturação.
