Gigante da tecnologia anuncia plano para repor recursos hídricos usados por data centers até 2030 e tenta responder a críticas sobre o impacto ambiental da inteligência artificial
O avanço da inteligência artificial elevou a preocupação com o consumo de água dos grandes data centers, e o Google decidiu transformar o tema em uma de suas principais bandeiras ambientais. A empresa anunciou um conjunto de metas que inclui a promessa de devolver mais água ao meio ambiente do que consome em suas operações até 2030.
A iniciativa surge em um momento de crescente pressão sobre as big techs para tornar mais transparentes os impactos ambientais da infraestrutura que sustenta sistemas de inteligência artificial. Nos Estados Unidos, comunidades locais e organizações ambientais têm questionado o consumo de água e energia dos centros de dados que vêm sendo construídos para atender à demanda crescente por IA.
Entre os compromissos anunciados pelo Google estão investimentos em infraestrutura hídrica, ampliação do uso de fontes alternativas de abastecimento, reaproveitamento de água residual e divulgação mais detalhada dos indicadores de consumo.
Segundo Ben Townsend, diretor global de infraestrutura e sustentabilidade da empresa, a intenção é criar um modelo de referência para comunidades que recebem projetos de data centers.
“Queremos oferecer um padrão que possa ser usado pelas comunidades para questionar futuras instalações sobre como pretendem proteger os recursos hídricos locais”, afirmou ao site The Verge.
IA aumenta pressão sobre recursos naturais
A preocupação não é nova, mas ganhou força com a popularização da inteligência artificial generativa. Os servidores que processam grandes volumes de dados precisam ser constantemente resfriados para evitar superaquecimento, o que exige quantidades significativas de água.
Estudos recentes apontam que o consumo hídrico associado à infraestrutura de IA já alcança níveis comparáveis ao volume de água engarrafada consumido pela população mundial em um ano.
O tema se tornou um dos principais focos de resistência à expansão dos data centers. Uma pesquisa da Gallup mostrou que mais de 70% dos americanos são contrários à construção de centros de dados próximos de suas comunidades.
Entre as preocupações mais citadas estão o consumo excessivo de água, o aumento da demanda energética, os impactos ambientais e a pressão sobre a infraestrutura local.
Reuso de água e investimentos
O Google afirma que parte da solução passa pela ampliação do uso de água reciclada e pelo investimento em projetos de gestão hídrica.
A empresa anunciou US$ 17 milhões para iniciativas de conservação e infraestrutura em sete estados americanos. Também pretende ampliar experiências que utilizam água residual tratada para resfriamento de instalações, prática já adotada em algumas regiões dos Estados Unidos.
Segundo Bikash Koley, vice-presidente de infraestrutura global da companhia, sistemas de resfriamento baseados em água podem reduzir em cerca de 10% o consumo de energia dos data centers em comparação com métodos convencionais baseados apenas em ar.
A empresa argumenta ainda que o consumo total de água dos data centers representa menos de 1% da água utilizada anualmente pelos americanos para irrigação de gramados residenciais.
Corrida bilionária pela infraestrutura da IA
O anúncio ocorre enquanto a Alphabet, controladora do Google, acelera os investimentos para ampliar sua capacidade de processamento de inteligência artificial.
Recentemente, a companhia informou que pretende captar cerca de US$ 80 bilhões para financiar a expansão de sua infraestrutura tecnológica voltada à IA.
A corrida envolve também concorrentes como Microsoft, Amazon e Meta, que vêm construindo novos centros de dados em ritmo acelerado para atender ao crescimento da demanda por modelos de inteligência artificial cada vez mais sofisticados.
